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Candidato a vereador de João Pinheiro é autuado por curandeirismo na zona rural de Chapada Gaúcha

Em entrevista ao JP Agora, o homem disse ser vítima de perseguição e negou que se passava por médico

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Após receberem uma denúncia da vigilância sanitária do Município de Chapada Gaúcha, a Polícia Militar de Buritis autuou o pinheirense Anderson Jacó da Silva, 43 anos, pela prática de curandeirismo no dia 19 de junho. Ele foi abordado quando realizava um atendimento, assinou o TCO e foi liberado.

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A denúncia da vigilância sanitária apontava, segundo apurado pela reportagem do JP Agora, que Jacó exercia ilegalmente a profissão de médico nas comunidades rurais da região cobrando R$300,00 (trezentos reais) por consulta, além de prescrever e vender medicamentos. Então, uma guarnição foi deslocada para apurar os fatos.

Jacó, que foi candidato a vereador em João Pinheiro na última eleição pelo DEM e recebeu 77 votos, foi localizado na comunidade São Felix, zona rural de Chapada Gaúcha, enquanto fazia um atendimento. Questionado, ele negou todas as acusações e disse que realiza uma espécie de consulta espiritual. Afirmou, ainda, que fornece medicamentos caseiros para as pessoas atendidas.

O pinheirense negou veementemente que recebe dinheiro, mas afirmou que, quem pode, lhe oferece não mais que R$30,00 (trinta reais) para ajudar no combustível. Jacó afirmou que o trabalho é voluntário e que sempre leva cestas básicas para distribuir para os mais carentes das comunidades que visita.

Trabalho voluntário, fé e testemunhos de pacientes

A reportagem do JP Agora entrou em contato com Jacó via ligação telefônica. O pinheirense foi bastante solícito ao esclarecer o ocorrido e contou que possui diversos testemunhos positivos de pessoas que foram atendidas por ele. Questionado sobre do que se trata o atendimento, Jacó esclareceu que trata-se de um tratamento espiritual.

Quanto à denúncia que chegou na vigilância sanitária de Chapada Gaúcha, o pinheirense disse que acredita se tratar de perseguição daqueles que fazem trabalhos espirituais malignos e se incomodam com os resultados benignos atingidos por ele através dos seus atendimentos.

“É um tratamento espiritual, atendo as pessoas espiritualmente de forma gratuita. Essa denúncia foi uma perseguição daquelas pessoas que fazem bruxaria, que fazem porcaria para os outros e vivem disso. Como eu desmancho e não cobro nada, há essa perseguição sim.”

Sobre a comercialização de medicamentos, Jacó disse que vende apenas remédios naturais a base de raízes e folhas, os quais atuam como completos das rezas que integram o tratamento espiritual.

O JP Agora conversou, ainda, com uma mulher que foi atendida por Jacó. Ela contou que mudou de vida depois que o conheceu. Soropositiva, afirmou que o tratamento a tirou do fundo do poço.

“Se eu estou viva hoje nesse mundo, é devido aos benefícios que eu recebi fazendo tratamento com ele. Quando o conheci, estava à beira do precipício mesmo, não só espiritualmente como de saúde. Com o pé na cova. Comecei a tratar faz dois anos e graças a Deus consegui me recuperar. Sei que a medicina não teria dado conta porque já conheci várias pessoas que não tiveram a oportunidade de conhecer ele e faleceram. Então, eu posso dizer que tenho uma vida nova” contou a mulher, que preferiu não se identificar.

Apesar da relevância religiosa do trabalho desempenhado por Anderson Jacó da Silva, o pinheirense responderá um processo pela prática de curandeirismo, crime de menor potencial ofensivo tipificado pelo Código Penal no artigo 284, que proíbe tal conduta. A pena é de detenção, de seis meses a dois anos.

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