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Caso Eduardo Adelino completa duas semanas sem prisão, sem corpo e sem resposta em João Pinheiro

Jovem de 27 anos foi ferido dentro da própria casa, no Bairro Bela Vista, e levado no próprio carro na noite de 9 de agosto; ninguém foi preso até agora

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O calendário avança cruelmente para quem ficou para trás. Neste domingo, 23 de agosto, completam-se exatos 14 dias desde que Eduardo Adelino, de 27 anos, foi ferido e levado de dentro da própria casa, no Bairro Bela Vista, em João Pinheiro. Duas semanas de espera angustiante, em que o silêncio e a ausência de qualquer vestígio mantêm a mãe e os parentes sem o direito mais básico que resta a uma família nessas circunstâncias: o de sepultar quem se ama. E a conta que eles fazem é uma só: nenhuma prisão, nenhum corpo, nenhuma resposta.

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Tudo começou na noite de domingo, 9 de agosto, na Rua Vicente Antônio de Souza, no Bairro Bela Vista, nas proximidades do CAIC. Vizinhos ouviram um barulhos e encontraram a casa de Eduardo arrombada, com móveis revirados, uma faca com resquícios de sangue e marcas de sangue no chão, no beco e em frente ao imóvel. Um chinelo ficou para trás. A perícia não localizou indícios de disparo, e as marcas apontavam para ferimentos causados por arma branca.

O que aconteceu depois foi registrado por câmeras de segurança do bairro. As imagens mostram duas pessoas: enquanto uma liga o Fiat Uno branco do próprio Eduardo, de placa JGR-2465, a outra arrasta o jovem já ferido e o coloca no banco traseiro. Desde aquele instante, ninguém mais viu Eduardo.

Na terça-feira, 11 de agosto, a família foi às ruas. Em frente à Delegacia e ao Ministério Público, a mãe fez um apelo que a cidade inteira ouviu. "Eu quero o corpo do meu filho. Eu tenho o direito do corpo do meu filho", disse. Ela já não alimentava esperança de reencontrá-lo com vida. "Desde quando eu entrei na casa dele domingo, eu já senti que meu filho não estava mais vivo", desabafou. "Eu não aguento mais essa agonia. Eu não durmo, eu não como, eu quero o meu filho."

O primeiro rastro apareceu na quarta-feira, 12 de agosto. O Fiat Uno foi encontrado por volta das 11:00h nas proximidades da balança, às margens da BR-040. O dono da área, um produtor rural que empresta o espaço para ferros-velhos da cidade, estranhou o veículo, consultou a placa e acionou a polícia. Naquele mesmo dia, uma informação repassada à mãe indicava que uma pessoa que teria participado do crime teria se arrependido e apontado uma área de eucaliptos, próxima à Prainha, como o local onde o corpo estaria enterrado.

A cidade se mexeu. Uma força-tarefa reuniu policiais civis, militares e penais, além do grupo Legendários, com apoio de drones. Cerca de 30 pessoas, entre agentes e voluntários, vasculharam o mato metro a metro entre a Prainha e Itatiaia. O Corpo de Bombeiros chegou a solicitar cães farejadores de Uberaba. Dois dias de buscas depois, nada. Nem um vestígio.

E aí o barulho acabou. Passadas duas semanas, o caso saiu do noticiário diário, mas não saiu da casa da família. Nenhuma prisão foi anunciada. Nenhuma informação oficial foi divulgada sobre a identificação dos dois homens que aparecem nas imagens. Nenhuma explicação sobre a motivação do crime. E, principalmente, nenhum corpo para velar.

Segundo apurado pelo JP Agora, a família não pede vingança. Pede o mínimo que uma mãe pode pedir: um caixão, um velório, um lugar para levar flores. É esse o pedido que segue sem resposta há duas semanas em João Pinheiro, e é essa a pergunta que a cidade continua fazendo às autoridades: onde está o corpo de Eduardo Adelino.

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