Mesmo acumulando lucros que ultrapassam R$ 1 bilhão, a Copasa voltou a falhar no serviço mais essencial. Em João Pinheiro, a crise no abastecimento de água já dura quatro dias consecutivos e começa a atingir quem mais precisa. O Abrigo Santa’Ana, que já enfrenta sérias dificuldades financeiras, foi obrigado a comprar galões de água para garantir o mínimo aos idosos acolhidos — água para beber, cozinhar e administrar medicamentos.
Sem água na caixa, a instituição teve de recorrer à compra emergencial para cozinhar, preparar alimentos, administrar medicamentos e matar a sede dos internos. Só no período da manhã, o abrigo gastou R$ 350,00 com galões de água e vasilhames. À tarde, o gasto continuou, pressionando ainda mais um orçamento que já é apertado. “É água para cozinhar, para nossos internos beberem, pois precisam tomar remédios e matar a sede”, relatou o Presidente do Abrigo, Pedro Luiz.
Procurada pelo JP Agora, a Copasa informou que a previsão é de normalização do abastecimento ao longo da noite deste sábado, 24 de janeiro, mas ressalvou que as condições climáticas podem alterar o prazo. Segundo a empresa, as intermitências começaram na quinta-feira, 22 de janeiro, por causa do aumento da turbidez no manancial, provocado pelas chuvas intensas, o que exige a paralisação da Estação de Tratamento de Água (ETA) para preservar a qualidade da água.
A data informada pela companhia entra em contradição com a realidade vivida pelos pinheirenses, já que os primeiros relatos de falta de água começaram ainda na terça-feira, 20 de janeiro, conforme moradores que enfrentam o problema no dia a dia.
A Copasa explicou ainda que, durante a paralisação, os reservatórios dão suporte aos imóveis, porém os níveis ficaram baixos e que técnicos seguem monitorando a situação, com manobras operacionais e apoio de caminhão-pipa para áreas prioritárias, como unidades de saúde. A empresa afirmou não ter sido comunicada sobre o desabastecimento de instituições filantrópicas e orientou que os responsáveis procurem a sede local para solicitar atendimento por caminhão-pipa.
Enquanto a normalização não ocorre, o impacto é imediato para instituições como o Abrigo Santa’Ana, que dependem de água de forma contínua para garantir cuidados básicos e a dignidade de pessoas idosas. O episódio escancara a fragilidade do sistema de abastecimento em períodos chuvosos e a repetição de um problema antigo, que segue sem solução definitiva.
Em contraste com essa realidade, a Copasa divulga lucros que ultrapassam R$ 1 bilhão, enquanto falha justamente no serviço mais essencial à população. A ausência de investimentos estruturais e de modernização dos processos penaliza quem mais precisa e recai, no fim das contas, sobre o povo pinheirense, que paga a conta todos os meses e continua convivendo com torneiras secas.
