A estrutura já era ruim muito antes de o CMEI Terezinha de Almeida Rodrigues ser transferido de endereço para o novo espaço no Bairro Manoel Neto: local abafado, sem forro e com goteiras no telhado toda vez que chovia. Depois da mudança, o antigo prédio no Santa Cruz ficou de portas fechadas por cerca de um ano, e o cenário só piorou. Nesta sexta-feira, 14 de agosto, o lugar reabriu irreconhecível. É a nova sede do CRAS 3, em João Pinheiro, com salão ampliado, parquinho para as crianças e capacidade para receber muito mais gente do que antes.
Poucas pessoas medem essa diferença como Jeyce Mirla Gomes Rodrigues. Ela estudou no CMEI quando criança, viu os irmãos passarem pelas mesmas salas e ainda acompanhou a mãe dar aula ali. Depois, virou usuária do CRAS. "Desde pequenininha eu fiz curso de manicure lá, fiz curso de pintura também, quando era ali em cima. Agora é aqui", contou. O veredito dela foi direto: "Aqui realmente estava bem decaído, estava uma situação triste. O que você vê agora é outro lugar, outro espaço, totalmente diferente. Melhorou 100%."
A recuperação foi feita a muitas mãos e sem grande orçamento. Secretária de Ação Social, Jessinaider Couto explicou que a obra juntou equipes da Secretaria Municipal de Obras, com eletricistas, bombeiros hidráulicos e pedreiros, a uma parceria com o presídio. "Os albergados fizeram toda a parte de limpeza, pintura, pintaram as grades. Foi uma mão de obra gratuita. Foi uma mão de obra inclusiva. E que muito nos ajudou e muito nos alegrou", disse. O trabalho levou cerca de três meses. Empresários da cidade entraram com tintas, brindes e o parquinho.
Com mais espaço, veio também mais serviço. O coordenador da unidade, Bruno Francis Acácio Pereira Almeida, explicou que o CRAS atende diariamente entre 80 e 90 crianças, além dos grupos de mulheres e de idosas. "É um espaço que visa a prevenção da violação de direitos. Nós trabalhamos como mediadores de política pública levando dignidade e política social para a população sempre quando ela mais necessita", afirmou. Segundo ele, a mudança altera a rotina de quem trabalha e de quem é atendido. "Um espaço amplo, bem acabado e bem terminado como esse vai proporcionar uma qualidade de trabalho e também uma qualidade de vida para os nossos usuários."
A secretária adiantou o que vem pela frente: oficinas de salgados e de churrasqueiro, além de uma aposta para equilibrar o público. "O CRAS é a porta de entrada para as famílias. Agora nós dispomos de um salão maior e estamos com muitos sonhos", disse. "As mulheres participam muito, os homens não tanto. Então nós vamos propor aqui forrós mensais e vamos propor também campeonato de truco. Homens, venham participar do CRAS", convidou.
O prefeito Gláucon Cardoso destacou que o local foi recuperado com recursos do município, do Estado e de parceiros da iniciativa privada. "Não é só a reforma do espaço, é saber que os profissionais vão trabalhar num ambiente tranquilo, confortável, e poder atender a sociedade de uma forma tranquila", afirmou. Ele lembrou que a quadra em frente também passa por reforma e que o mesmo modelo está sendo aplicado na região do Itaipu. "Estamos investindo nos bairros. É aqui que mora a maioria das pessoas."
Morador do bairro, o aposentado Paulo Magalhães acompanhou a mudança de perto e resumiu o que mais importa para quem depende do serviço. "Era um lugar tão pequeno, mas veio para cá, aumentou, mais espaço, recolhendo mais pessoas", disse. Sobre o forró e o curso de churrasqueiro, já garantiu presença: "Vamos estar aí para apoio e fazer."
