Um vídeo com cenas íntimas, publicado em meio à campanha eleitoral, virou caso de polícia em Paracatu. A Polícia Civil apura a divulgação do material, que teria sido feita sem o consentimento das pessoas envolvidas, e procura o responsável pela publicação desde a segunda-feira, 28 de setembro. Até esta terça-feira, 29, ele não havia sido localizado.
O vídeo foi publicado em um perfil no Instagram e, segundo o que foi relatado à polícia, além das cenas íntimas, trazia falas de possível caráter difamatório no contexto eleitoral. De acordo com o portal Agora News, o conteúdo fazia acusações contra o ex-prefeito Igor Santos e outras pessoas. A publicação foi removida, mas o material já havia se espalhado por redes sociais e grupos de mensagens.
Ainda segundo o Agora News, o suspeito seria Clesle Siqueira, candidato a deputado federal pelo União Brasil. As equipes policiais estiveram em endereços ligados a ele, mas não o encontraram. O portal informou também que outros oito endereços podem ser alvo de mandados de busca e apreensão nas próximas horas, em Paracatu e em outras cidades de Minas Gerais.
Antes de as buscas começarem, o perfil do candidato havia divulgado a agenda de um ato público marcado para o meio-dia desta terça-feira, no centro de Paracatu. Uma das pessoas citadas no vídeo afirmou, segundo o Agora News, que vai buscar a Justiça para que o caso sirva de exemplo e disse que a internet não é terra sem lei.
A Polícia Civil deve apurar a autoria, as circunstâncias da publicação e a responsabilidade criminal de quem divulgou e de quem compartilhou o conteúdo.
O JP Agora procurou o candidato Clesle Siqueira para comentar o caso, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.
Expor a intimidade de alguém sem consentimento não é crítica política nem denúncia. É crime, previsto no artigo 218-C do Código Penal, com pena de um a cinco anos de prisão. Usar esse tipo de material em plena campanha representa o pior da política, e isso vale para qualquer lado da disputa. O JP Agora não divulga e não incentiva o compartilhamento do vídeo e pede aos leitores que não repassem o conteúdo. Cada pessoa que encaminha o material amplia o dano e também pode responder pela divulgação. A eleição deve ser decidida com propostas, não com a exposição da vida íntima de ninguém.
