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Enfermeira finge assalto para esconder perda de mais de R$ 6 mil em jogo do “tigrinho”

Marcas no rosto da mulher chamaram atenção dos militares por parecerem feitas por unhas e não por barra de ferro; ela acabou confessando que perdeu o dinheiro em apostas online 

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O que parecia ser apenas mais um caso de roubo violento nas ruas de Patos de Minas terminou em uma reviravolta inesperada e expôs um problema cada vez mais comum no Brasil: o vício em jogos de azar online. Uma enfermeira está sendo investigada por falsa comunicação de crime depois de inventar para a Polícia Militar que havia sido assaltada e agredida com uma barra de ferro, quando, na verdade, tinha perdido todo o dinheiro em jogos de slot, popularmente conhecidos como “tigrinhos”.

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O caso aconteceu na noite da última quinta-feira, 9 de abril, por volta das 19:16h, na região da Rua Barão do Rio Branco, no Bairro Lagoa Grande. Inicialmente, a mulher contou aos militares uma história bastante detalhada e até convincente. Disse que, ao sair do trabalho, foi até o Terminal Rodoviário e sacou R$ 997,00 em um caixa eletrônico 24 horas. No caminho de volta para casa, teria sido abordada por um homem com aparência suja, vestindo bermuda, que tomou seu celular e ainda subtraiu R$ 6.100,00 que estavam dentro de sua mochila. Para completar o relato, afirmou que o suposto assaltante a teria atacado com uma barra de ferro, justificando assim as marcas que apresentava no rosto.

A história, no entanto, começou a desmoronar rapidinho. Quando os militares pediram para que ela acompanhasse a equipe até o local exato do crime, com o objetivo de buscar câmeras de segurança e possíveis testemunhas, a suspeita demonstrou claras dúvidas e não soube precisar onde teria sido abordada. Foi aí que os policiais começaram a desconfiar. Outro detalhe que chamou atenção foi a aparência das lesões em seu rosto, que não eram compatíveis com golpes de uma barra de ferro, mas pareciam ter sido feitas por unhas, como em uma briga corpo a corpo. Diante das contradições, a mulher acabou confessando o que realmente havia acontecido.

Segundo a versão verdadeira, a enfermeira e uma colega de trabalho tinham o costume de jogar slots de apostas online juntas. Naquele dia, ela teria sacado os R$ 6.100,00 com a esperança de recuperar perdas anteriores em apostas. Confiou o dinheiro à amiga para que esta tentasse a sorte, mas o resultado foi desastroso: a colega perdeu absolutamente tudo. Inconformadas com o prejuízo, as duas começaram a discutir e a discussão evoluiu para agressão física mútua, momento em que a enfermeira ficou com as marcas no rosto e o celular acabou quebrando durante a confusão. Questionada sobre quem seria a colega envolvida, ela se recusou a informar o nome e também disse que não queria tomar nenhuma providência sobre as lesões que sofreu.

O caso, mais do que uma curiosidade policial, acende um sinal de alerta importante. O avanço dos jogos de azar online, especialmente os famosos “tigrinhos” e demais slots de apostas, vem causando estragos na vida financeira e na saúde mental de milhares de brasileiros. Essas plataformas digitais, muitas vezes pouco regulamentadas, utilizam mecanismos que estimulam o vício, levando os apostadores a perdas cada vez maiores na esperança de recuperar o que já se foi, exatamente o que aconteceu no caso de Patos de Minas, onde uma única tarde de apostas custou mais de R$ 6 mil.

A Polícia Militar reforçou ainda que a falsa comunicação de crime, prevista no artigo 340 do Código Penal, é uma infração que tira recursos públicos e policiais de ocorrências verdadeiras, podendo render pena de detenção de 1 a 6 meses ou multa. Por se tratar de infração de menor potencial ofensivo, a enfermeira não foi presa, assinou o TCO e foi liberada. Agora, terá que prestar esclarecimentos sobre o caso, em data ainda a ser definida.

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