A morte de Bárbara Luana Fernandes Aleixo, de 29 anos, moradora de São Gonçalo do Abaeté, deixou um vazio enorme na família e na comunidade do Noroeste de Minas. Grávida de 30 semanas, ela aguardava ansiosamente o nascimento do primeiro filho, Augusto Manoel, quando perdeu a vida na madrugada do dia 9 de junho, no Hospital São Francisco, em Três Marias. Em entrevista emocionante ao G1 Triângulo, a sogra Jusimara Ferreira da Silva Leite, de 47 anos, contou quem era a jovem que sonhava em ser mãe.
“Era o sonho dela ser mãe. Ela amava criança”, resumiu Jusimara. A sogra descreveu Bárbara como uma jovem amorosa, carinhosa e empática. “Ela sentia a dor do outro. Não brigava com ninguém, não tinha maldade e não desejava mal para ninguém”, relembrou. Antes da gravidez, Bárbara trabalhou durante anos como atendente em restaurantes às margens do Rio São Francisco. Pouco antes da tragédia, havia se inscrito em um processo seletivo da Prefeitura e tirava a carteira de motorista, comemorando a aprovação na prova teórica.
A história com o companheiro, Jônatas Leite, era de cinema. Os dois eram vizinhos em São Gonçalo do Abaeté e amigos de infância. O relacionamento começou há cerca de um ano, e pouco tempo depois veio a descoberta da gravidez. Entre os planos do jovem casal estavam a compra de um carro para ela e a construção da casa onde pretendiam morar com o pequeno Augusto Manoel. Eles dividiam até uma coincidência: nasceram com um ano e um dia de diferença, em 4 e 5 de dezembro. “Ela brincava comigo: ‘Ju, minha profissão agora é gestar’. Ela falava que agora era só cuidar do Augusto”, recordou Jusimara, com lágrimas nos olhos.
Desde a tragédia, a família acompanha o sofrimento de Jônatas, que ainda tem dificuldade para aceitar a perda. Como as casas ficam próximas, ele olha em direção à casa onde Bárbara vivia e chama pelo nome dela, além de visitar o cemitério várias vezes ao dia para se despedir. “Está de cortar o coração ver o que meu filho está passando”, lamentou a sogra.
A morte de Bárbara é investigada pela Polícia Civil como duplo homicídio. O obstetra Higo Moreira Fonseca, que estava de plantão de sobreaviso, foi preso em flagrante por suspeita de omissão de socorro e negligência médica, sendo acionado seis vezes pela equipe médica entre as 22:08h da segunda-feira (8) e as 5:25h da terça-feira (9). A defesa nega as acusações. O médico está em liberdade provisória e proibido pela Justiça de exercer atividades no SUS em todo o país.
