Depois de quase quarenta dias de internação, orações e uma corrida contra o tempo, uma família de João Pinheiro comemorou o desfecho que esperava. José Mauro da Silva, de 84 anos, passou pela cirurgia cardíaca de que precisava, e a neta dele, Ana Clara Silva, de 19 anos, decidiu tornar a história pública justamente para mostrar o outro lado da saúde.
"Nesses últimos tempos aconteceram muitas tragédias, muitas coisas irreversíveis, que afetaram e machucaram muitas famílias. Mas muitas vezes as coisas boas que acontecem não são noticiadas", afirmou ela, que chama o avô de pai e o descreve como o amor da vida dela.
Tudo começou em 27 de junho, quando José Mauro foi encontrado desacordado na fazenda onde mora pelo vizinho Silvano, que o levou direto à UPA de João Pinheiro. No atendimento, com base em exames recentes que a família levou, o doutor Alimak identificou uma estenose aórtica, doença que provoca o estreitamento da válvula do coração. No mesmo dia, ele foi transferido para a UTI e, depois de três dias, seguiu para a enfermaria, onde permaneceu cerca de 22 dias.
Foi nesse período que a família percebeu que o quadro era mais grave do que se imaginava: a estenose, inicialmente considerada moderada, foi classificada como importante. Segundo Ana Clara, a equipe do doutor Hali Mac, junto com a doutora Rayane e os demais médicos que acompanharam o caso, foi precisa tanto no diagnóstico quanto na orientação sobre o procedimento necessário e sobre o cadastro para conseguir a vaga. Ela também fez questão de agradecer a enfermeiras, médicos e às equipes de cozinha e limpeza do hospital, pelo cuidado durante a internação.
Em paralelo, a família entrou com uma ação judicial e obteve liminar em poucos dias, com atuação dos advogados Bruna, Yuri e Jamir Andrade. No dia 23 de julho, José Mauro foi transferido para Oliveira, cidade a cerca de 600 quilômetros de João Pinheiro, onde foi atendido pelos doutores Robert e Juliano e pelo time do Centro de Hemodinâmica da Santa Casa. O procedimento realizado foi o TAVI, técnica de implante de válvula aórtica por cateter, indicada especialmente para pacientes idosos ou com risco cirúrgico elevado.
Segundo Ana Clara, tudo o que os médicos de João Pinheiro haviam antecipado foi exatamente o que aconteceu em Oliveira. Ao fazer o balanço, ela reconhece as limitações do sistema, mas destaca o que foi possível. "Nós sabemos que o SUS tem várias falhas, mas gente, imagina se não tivesse", disse. Trata-se de um procedimento caro, que planos de saúde não costumam cobrir integralmente, e que a família conseguiu realizar pela rede pública.
