Uma denúncia anônima salvou uma mulher de 29 anos de um verdadeiro cenário de terror na noite da última terça-feira, 24 de fevereiro, no Papagaio, em João Pinheiro. O que parecia ser apenas mais uma noite na Rua Orestes Moura transformou-se em um caso de polícia quando vizinhos ouviram gritos desesperados de socorro. Ao chegar no local, a Polícia Militar deparou-se com uma surpresa nada agradável, uma mulher em estado de choque, com marcas de um açoitamento brutal, enquanto o suspeito tentava explicar que tudo não passava de uma “coisa de casal”.
Segundo apurado pelo JP Agora, o casal se conhecia há cerca de um ano e mantinha um relacionamento amoroso há seis meses. A vítima, que reside em Contagem, costumava viajar para João Pinheiro uma vez por mês, onde permanecia por cerca de 20 dias na casa alugada pelo suspeito. O crime teria sido motivado por uma crise de ciúmes, após Valter José Vaz, de 46 anos, visualizar mensagens no celular da companheira. Fora de si, ele teria iniciado uma sessão de tortura com socos, chutes e o uso de um fio elétrico de quase um metro para açoitar a mulher. A vítima apresentava hematomas graves nos braços, pernas e costas, causados pelo açoitamento brutal.
Durante a ocorrência, a PM descobriu que o crime ia muito além da violência doméstica. No interior da casa, os policiais apreenderam seis pinos de cocaína, uma balança de precisão e vários pinos vazios, indicando a prática de tráfico no local. A ação seguiu até outra casa ligada ao suspeito, no bairro Esplanada, onde uma arma de fogo artesanal calibre .22 foi localizada escondida dentro de um cofre. Diante do flagrante, o suspeito Valter foi preso imediatamente.
Na delegacia, a mulher detalhou os momentos de horror e relatou que, além das chicotadas, teria sofrido um golpe de “mata-leão”, sendo estrangulada até quase perder os sentidos. Ela contou ainda que tentou fugir, mas teria sido puxada pelos cabelos e jogada ao chão, enquanto o agressor a ameaçava de morte e dizia que cortaria suas orelhas com uma faca. O suspeito apresentou uma versão de “legítima defesa”, alegando que a mulher teria tentado esfaqueá-lo, versão que não convenceu os investigadores diante das evidências e do estado da vítima.
O desfecho do caso foi rigoroso e o suspeito não teve direito à liberdade. O delegado de plantão ratificou a prisão de Valter José Vaz pelos crimes de lesão corporal grave no contexto de violência doméstica, tráfico de drogas, posse ilegal de arma e ameaça qualificada. Devido à periculosidade e ao histórico criminal do homem, que já possui passagens por homicídio, não foi arbitrada fiança. A vítima solicitou medidas protetivas de urgência e o suspeito foi encaminhado para o Presídio de Paracatu, onde permanecerá à disposição da Justiça. O JP Agora seguirá acompanhando o caso.
