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Jovem pinheirense de 14 anos representa Nossa Senhora da Abadia em coroação e emociona fiéis em Andrequicé

Maria Fernanda Gaspar Esteves foi escolhida pela comunidade do Tauá e passou um manto sobre os devotos durante o ato; semelhança com a imagem da Padroeira encantou os presentes

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No meio de uma tradição que atravessa gerações, uma adolescente de João Pinheiro viveu neste mês um papel que emocionou fiéis em Andrequicé. Maria Fernanda Gaspar Esteves, de 14 anos, foi convidada para representar Nossa Senhora da Abadia durante a coroação realizada na festa de Andrequicé, um dos momentos mais simbólicos da celebração religiosa.

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A mãe da adolescente, a biomédica Elaine Gaspar de Oliveira, contou que a ligação da família com a festa vem de muito antes. Segundo ela, a origem da família está na comunidade do Tauá, próxima de Andrequicé, e a presença na celebração acontece desde a infância. Elaine afirmou que só deixou de ir à festa no ano em que a filha nasceu, em 6 de agosto, e que, no ano seguinte, a menina já participou novamente da tradição com a família.

O convite veio de dentro da comunidade, e de um jeito que a família não esperava. Todo dia 15, após a missa campal, o padre sorteia qual comunidade fará a coroação no ano seguinte, e o Tauá foi o sorteado. Foi então que uma das organizadoras fez a observação que mudou tudo. "Ela falou assim: Maria, aquela menina da Elaine, a Maria Fernanda, esses dias para trás eu olhei para ela e vi nela Nossa Senhora. O rosto dela é muito parecido com Nossa Senhora. O que você acha de a gente convidá-la para representar Nossa Senhora?", relembra Elaine. A coordenadora da coroação, Maria Aparecida, acatou na hora.

A menina, que faz balé desde a infância e sempre gostou da parte cênica, aceitou. "Eu fiquei lisonjeadíssima. Eu e meu marido, a família toda ficou em êxtase com o convite", diz a mãe. A preparação começou ainda em abril, com grupo no WhatsApp, encontros e ensaios. A roupa foi feita sob medida, inspirada na imagem venerada em Andrequicé: bata rosa, manto azul e véu branco.

No dia, a emoção tomou conta de quem assistia. "Ficou tão real, ao vivo, que a imagem talvez a gente não consiga descrever o que foi o ato", contou Elaine. Segundo ela, houve quem chorasse durante a apresentação, tamanha a semelhança da menina com a Padroeira. "Durante a coroação, ela ia andando e ia passando um manto sobre todos os fiéis. Todas as pessoas que estavam lá me elogiaram. A coroação foi muito boa, muito boa mesmo."

A fé da família se mede também nos quilômetros. Na última semana de julho, Elaine e Delton participaram de uma peregrinação de 65 KM até Andrequicé. Ela não conseguiu concluir o trajeto, mas o marido foi até o fim, cumprindo uma promessa por uma graça alcançada. É um caminho que ela mesma já fez outras vezes ao longo da vida.

Ao fim, o agradecimento foi coletivo. Elaine faz questão de creditar a coroação a quem a construiu: Maria Aparecida, criadora de toda a encenação e da decoração, Sandy, Doralice e as demais mulheres da comunidade, além das crianças que participaram como anjinhos. "A comunidade se uniu mesmo para poder fazer esse momento lá. Foi muito lindo", resume. "Eu só queria agradecer a Deus e a Nossa Senhora por ter dado a gente essa oportunidade."

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