Anúncio, o primeiro de forma direta, foi feito a presidente da Indonésia e acontece em meio a uma melhora na popularidade e às vésperas de um possível encontro com Donald Trump. O recado foi dado do outro lado do mundo, mas com o alvo no Brasil. Durante uma agenda oficial em Jacarta, na Indonésia, nesta quinta-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou um ponto final nas especulações e confirmou, pela primeira vez de forma direta, que será candidato à reeleição em 2026.
“Eu vou disputar um quarto mandato no Brasil. Estou preparado para outras eleições”, cravou Lula em conversa com o presidente indonésio, Prabowo Subianto. Aos quase 80 anos, ele garantiu que ainda tem “a mesma energia de quando tinha 30”.
Até então, Lula mantinha o suspense, condicionando uma nova candidatura ao seu estado de saúde. A decisão de anunciar a candidatura agora não parece ser por acaso. Ela acontece em um momento estratégico, logo após pesquisas, como a do instituto Genial/Quaest, mostrarem uma recuperação em sua popularidade, com a aprovação de seu trabalho chegando a 49% e empatando tecnicamente com a desaprovação.
Internamente, o anúncio também serve para acalmar o próprio PT, que hoje não tem um “plano B” competitivo para a disputa presidencial, e para posicionar Lula como o nome central do governo para o próximo ciclo eleitoral.
Xadrez internacional e encontro com Trump
O palco do anúncio, a Ásia, também é simbólico. Lula está em uma viagem para participar da Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), buscando fortalecer laços comerciais e diplomáticos.
Nos bastidores, a viagem pode ter outro ponto alto: um possível encontro com o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, no domingo (26), na Malásia. Embora ainda não confirmado oficialmente, a reunião colocaria na mesa temas espinhosos, como as tarifas americanas sobre produtos brasileiros e a crise na Venezuela.
A confirmação da candidatura à reeleição, feita às vésperas de um encontro de peso como este, reforça a imagem de Lula como um líder que planeja sua permanência no poder e no cenário global a longo prazo.
