A manhã desta sexta-feira, 16 de janeiro, foi marcada por mais um capítulo doloroso no caso que abalou João Pinheiro. O corpo do idoso que morreu após um erro médico no Hospital Municipal foi exumado no Cemitério Municipal, em uma ação acompanhada pela Polícia Civil, Ministério Público e peritos da Polícia Científica.
A exumação foi determinada como parte das investigações que apuram a morte do paciente, que teve uma pinça cirúrgica esquecida no corpo após procedimentos realizados no hospital. O corpo foi retirado da sepultura e passou por exames periciais no próprio cemitério, conduzidos por médico-legista, seguindo protocolos de biossegurança. A imprensa não pôde acompanhar a perícia de perto por orientação da Polícia Civil.
Segundo apurado pelo JP Agora, o objetivo da exumação é esclarecer pontos fundamentais da investigação, como a confirmação das cirurgias realizadas, a análise das intervenções no corpo e a possível contribuição direta da pinça esquecida para a morte do idoso. Os dados coletados serão cruzados com prontuários médicos e documentos fornecidos pelo hospital.
A ação foi acompanhada por investigadores da Polícia Civil, uma promotora do Ministério Público e pelo advogado da família, que representou os parentes durante o procedimento. Os familiares não acompanharam a exumação por se tratar de um momento extremamente sensível. O filho do idoso, segundo a defesa, afirmou não ter condições emocionais de presenciar o procedimento.
O Ministério Público informou que instaurou um procedimento administrativo para acompanhar e fiscalizar o cumprimento dos protocolos de segurança do paciente no Hospital Municipal Antônio Carneiro Valadares, além de avaliar a necessidade de outras medidas legais diante do caso, classificado como evento adverso grave com óbito.
Paralelamente à investigação criminal, o caso também é apurado em outras frentes. A Câmara Municipal de João Pinheiro instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis falhas no atendimento prestado pelo Hospital Municipal Antônio Carneiro Valadares. A comissão formada por três vereadores, Alexandre da Farmácia, Osmar Rodrigues e Guilherme Coxa, tem o objetivo de ouvir testemunhas, requisitar documentos e esclarecer se houve negligência ou irregularidades na condução do caso.
Além da CPI, a Prefeitura de João Pinheiro instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e determinou o afastamento preventivo de profissionais envolvidos nos procedimentos cirúrgicos realizados no idoso. O PAD segue em andamento e está na fase de oitivas, quando os envolvidos começam a ser ouvidos oficialmente. As punições administrativas podem variar de advertência e suspensão até exoneração, dependendo da conclusão da apuração.
As investigações seguem em andamento. A Polícia Civil informou que está ouvindo todos os envolvidos e aguarda os laudos periciais para avançar na apuração das responsabilidades. O exame realizado durante a exumação é considerado peça-chave para o inquérito, já que pode confirmar tecnicamente detalhes importantes mesmo após mais de 20 dias do sepultamento.
O caso segue gerando forte comoção em João Pinheiro, enquanto a família aguarda respostas e cobra justiça diante de uma perda que marcou o Natal com dor e indignação.
