Uma aula de história desfilou pelas ruas de João Pinheiro na manhã desta segunda-feira, 7 de setembro. Sob o tema "Pequenos Patriotas em marcha pela história da Independência", transformou as ruas da cidade em um palco a céu aberto, com 14 pelotões, carros alegóricos, seis fanfarras e figurinos que arrancaram aplausos de quem lotou as calçadas.
A organização levou o público em uma viagem no tempo, em ordem cronológica. Tudo começou pelas riquezas naturais do Brasil antes da chegada dos portugueses, passou pelos povos indígenas e suas raízes, pelo "descobrimento" e pelo trabalho dos jesuítas na educação e na catequese, até chegar aos povos que formaram a identidade do brasileiro.
A caminhada seguiu pelos ciclos econômicos, com a agricultura e a pecuária do Brasil Colônia, e chegou ao Ciclo do Ouro, com as bandeiras, a mineração e a formação das cidades mineiras. Na sequência vieram os movimentos emancipacionistas, com a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana, a vinda da Família Real em 1808 e, enfim, o momento mais esperado: a Independência de 1822 e o Grito do Ipiranga.
O som ficou por conta das fanfarras, que se revezaram ao longo do percurso e deram o ritmo da manhã. Passaram pela avenida a Fanfarra do CAIC, a Dragões da Independência, e as fanfarras das escolas estaduais Arminda Maria da Costa, José Romero da Silveira, Tancredo de Almeida Neves e Quintino Vargas, além da Fanfarra Municipal de João Pinheiro, a Pedra 90, regida pelo maestro Levi Ferreira dos Santos.
A participação foi das mais variadas. Desfilaram a APAE e o Centro de Integração Passo-a-Passo, CMEIs, escolas municipais e estaduais da sede e dos distritos, grupos de capoeira, as dançarinas do Instituto Lizandra com as cores da bandeira, o Grupo Desbravadores, o Grupo de Escoteiros Ipê e, fechando o desfile, a Polícia Penal, os Bombeiros Mirins e a Polícia Militar.
Nas calçadas, o clima era de nostalgia e orgulho. "Eu lembro do meu tempo de infância, também participava do 7 de setembro. E eu acho muito gratificante a participação de todos", disse Cássia. Bárbara Costa, que agora acompanha o filho na apresentação, elogiou a organização e o significado da data. "Acho muito importante esse momento cívico."
Para Ricardo Rabelo, o que impressiona é a capacidade de reunir a cidade inteira. "É um grande orgulho para a cidade ter esse movimento, que junta todas as escolas, toda a comunidade, para poder prestigiar o 7 de setembro, que é um orgulho nacional." Já Caio misturou celebração e esperança. "Hoje é um dia comemorativo da independência do nosso Brasil. Como a gente vem passando por bastante coisa, a gente ainda tem esperança que seja melhor."
Nem a ameaça de chuva estragou a festa. Belchior, o "Bel", chegou a ficar em dúvida se participaria. "Está bacana, está melhor do que eu esperava. Eu pensava que a chuva ia atrapalhar, foi tudo de última hora, nem sei se ia participar ou não. Só que está uma maravilha, cara", brincou.
Gláucon Cardoso agradeceu o empenho de quem colocou o desfile de pé. "Um trabalho muito bonito, com dedicação das escolas, dos diretores, dos funcionários, da nossa comunidade como um todo", disse, citando também a participação da Secretaria de Educação. E foi olhando para a garotada que ele encerrou. "Esses jovens que estão aqui hoje, essas crianças, é que vão escrever a história do Brasil daqui para frente. Estão contando a história passada, mas vão escrever a história daqui para frente."
O desfile terminou com uma solenidade breve na Praça Luzia Mendes Romero, com a execução dos hinos.

