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Acusados de matar homem que emprestou enxada para PM vão a júri hoje em João Pinheiro

Cinco réus respondem pelo homicídio de Adílio dos Santos Pereira, 36 anos, assassinado em 2017 por emprestar uma enxada para a polícia

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Os cinco réus que respondem pelo homicídio de Adílio dos Santos Pereira, assassinado em 3 de janeiro de 2017 no Bairro Água Limpa, serão julgados pelo Tribunal do Júri nesta quarta-feira (21). A sessão será iniciada por volta das 09:00 horas e a previsão é que seja bastante demorada em razão do número de acusados e de testemunhas.

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O crime abalou a cidade de João Pinheiro na época. Isto porque Adílio era bastante conhecido e querido no Bairro Água Limpa e foi morto por homens supostamente ligados ao tráfico de drogas da região. Durante o inquérito, a Delegada da Polícia Civil Gabriela Mol explicou que a PM fez uma grande apreensão de drogas em uma casa naquele 3 de janeiro e, durante a operação, os policiais pediram uma enxada emprestada a Adílio para facilitar as buscas.

A informação de que Adílio teria, em tese, ajudado os policiais, chegou aos supostos traficantes, proprietários da droga, que resolveram, então, matar o homem. À época das investigações, a delegada disse, ainda, que traficantes de menor porte do bairro Água Limpa executaram a vítima. A investigação apontou um grande esquema de tráfico de drogas no local, com traficantes de maiores influências atuando na distribuição dos entorpecentes, enquanto que outros, considerados, secundários, trabalham para os “chefes” no bairro.

“Os dois indiciados pela investigação, Divino Júnior e Robson Ramos, são considerados, a título de investigação, como traficantes influentes no bairro Água Limpa. O executor dos disparos pela investigação é Thiago Nunes, que está foragido da polícia. Ele teve, em tese, a cooperação criminosa de Ítalo Hiago e Wander Moura”, afirmou a delegada.

Mais adiante, na denúncia do Ministério Público, a suposta “Lei do Silêncio” que matou Adílio é destacada pela Promotora Fabiana Pereira de Lima Lopes.

“Logo após a Polícia Militar apreender a droga pertencente à referida organização criminosa, os denunciados Divino e Robson, imaginando que a vítima tivesse delatado aos milicianos o local onde a droga apreendida estava ocultada, visando claramente impor a “Lei do Silêncio” e demonstrar a comunidade as graves consequências de auxiliarem o Estado a reprimir a nefasta e ilegal atividade comercial ao qual se dedicam, determinaram ao denunciado Thiago que matasse Adílio” anota a promotora na denúncia, que acusou Thiago Nunes da Silva, Divino Junior Batista de Oliveira, Robson Ramos Mota, Ítalo Hiago Furtado Moreira e Wander da Silva Moura.

Suspeitos estão presos

Ainda de acordo com informações da Polícia Civil, os suspeitos tiveram a prisão preventiva decretada por prazo indeterminado. “Essa prisão ocorre por garantia da ordem pública, e o tráfico em João Pinheiro tem tomado proporções terríveis, com crimes de homicídio e roubo veiculado ao tráfico, que tem aterrorizado a comunidade pinheirense. E nós da polícia temos adotados posturas enérgicas para coibir, reduzir e intervir contra esses crimes”, salientou a delegada Gabriela Mol à época da decretação da prisão preventiva.

Na data do homicídio foi informado que Adílio foi surpreendido pelo executor sem o recurso de defesa. Segunda a delegada os disparos foram efetuados pelas costas, com três perfurações na cabeça. “Os suspeitos estão qualificados no procedimento, quatro deles foram presos ontem (25) e as investigações ainda prosseguem e o relatório final será encaminhado”, finalizou.

Entenda o caso

O crime ocorreu por volta das 18h do dia 3 de janeiro de 2017. Informações da Polícia Militar dão conta que a sala de operações da PM recebeu uma ligação de que havia uma vítima de homicídio na rua Jesuíno Costa Carvalho, em Água Limpa.

Ao chegarem no local, os policiais militares confirmaram a denúncia. Um corpo de um homem estava jogado dentro de casa e apresentava três perfurações na cabeça. A vítima foi identificada como Adílio dos Santos Pereira, 36 anos. Testemunhas no local não souberam dar maiores informações sobre o fato, apenas que a vítima estava em casa quando indivíduos armados chegaram e efetuaram vários disparos.

À reportagem, familiares demonstraram estar muito abalados pelo crime, pois afirmaram que Adílio era uma pessoa muito esforçada e trabalhadora e que recentemente tinha sido admitido em uma empresa da região para prestar serviços braçais.

O que diz a defesa do acusado Robson

Os advogados de defesa de Robson, acusado pelo Ministério Público de ser um dos mandantes do homicídio, apontam a inexistência de prova sobre as supostas ordens para matar e tentarão a absolvição dele.

“Chama muita atenção, nesse caso, a visível falta de prova materializada em desfavor dos acusados, principalmente no que concerne aos acusados de serem mandantes, de forma que, tudo o que se tem até o presente momento são somente denúncias anônimas, as quais não casam com a possível dinâmica do crime”, afirma um dos advogados de Robson, Dr. Edimir G. Ramos.

Ainda segundo os advogados de Robson, de todas as formas de prova admitidas em direito, nada foi usado para confirmar as supostas denúncias de que ele seria o mandante do crime. Sobre as acusações de envolvimento com o tráfico, a defesa abordará que isso pode não ter relação com o homicídio em si.

“Nosso direito penal é um direito penal do fato, não do autor, de modo que, não se pode admitir a condenação de alguém simplesmente por que pesa em desfavor dessa pessoa, possíveis acusações ou condenações passadas”, é o que manifesta a Dra. Nubia Grasiele Gomes da Silva, também defensora do acusado Robson.

A defesa do acusado Robson é composta por Edimir G. Ramos, sócio do escritório Gomes e Gonçalves Advogados Associados e por Nubia Grasiele Gomes da Silva, membro do escritório Lans Advogados. Os demais acusados são representados por diversos outros advogados pinheirenses, que abordarão, cada um, seus fundamentos para a defesa dos acusados.

O processo contém mais de 15 testemunhas arroladas, o que pode fazer com que a sessão de julgamento seja bastante longa, considerando, ainda, o número de acusados. Thiago Nunes da Silva, Divino Junior Batista de Oliveira, Robson Ramos Mota, Ítalo Hiago Furtado Moreira e Wander da Silva Moura foram acusados de homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe (vingança) e meio que dificultou a defesa da vítima.

O JP Agora está no fórum local acompanhando o caso de perto e trará mais informações em breve.

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