Um evento de apostas para reunir a indústria licenciada, especialistas, reguladores e parlamentares no Distrito Federal. Esse foi o intuito do BiS SiGMA Brasília, que ocorreu pela segunda vez no início de junho. No dia de abertura, um tema de grande relevância foi discutido por personalidades do meio.
Com o título, “Para além das apostas: crédito, consumo e responsabilidade na compreensão do endividamento brasileiro”, o painel contou com as participações de Ana Bárbara Teixeira (Diretora de Relações Governamentais – ABRAJOGO), Victor Yuki Oda (Head de Produto – Serasa Experian) e Rodrigo Marinho (Diretor Executivo – Instituto Livre Mercado).
De acordo com informações oficiais, o objetivo foi promover uma análise além das apostas, levando em consideração crédito caro, renda pressionada, consumo, educação financeira, proteção do consumidor, dados reais e contexto econômico.
De acordo com Oda, o Serasa consegue realizar o monitoramento transacional das apostas. “A gente tem muitos dados de crédito, muitos dados relacionados ao CPF. Será que aquela aposta está tendo coerência creditícia? Será que as transações não estão levando a um lugar incoerente, que pode ser lavagem de dinheiro? Vários outros alertas que podemos construir e deixar nosso cliente sinalizado”, explicou.
Ele ainda revelou que, de acordo com dados do Serasa de abril, há cerca de 83,3 milhões de inadimplentes no Brasil. “É um número extremamente preocupante, vem crescendo ano a ano. Essa é a realidade brasileira de forma geral”, citou.
Questionado sobre a intersecção entre base de apostas e inadimplentes, ele mencionou: “um homem, jovem-adulto de até 39 anos, economicamente ativo, porém com renda mais baixa e que acredita que apostar é uma forma de gerar renda extra ou de recuperação financeira. Essa seria a interseção mais simples quando a gente olha a base de inadimplentes e a base de fato dos apostadores”, frisou.
Já Rodrigo Marinho destacou as iniciativas de jogo responsável e a plataforma de autoexclusão. “O Brasil tem um mecanismo fantástico sobre autoexclusão, algo absolutamente individual, uma visão de responsabilidade fundamental. Eu acho que nenhuma outra indústria que é tratada lá no Imposto do Pecado, tem a possibilidade de colocar o nome no cadastro e se excluir. Essa é a única indústria que tem a possibilidade de autoexclusão”, declarou;
Além disso, Marinho ressaltou que existem diversos fatos positivos que devem ser destacados pela própria indústria. “Cabe a nós todos que acreditamos e participamos da indústria apresentar a realidade de Brasília. Cabe a todos convencer aos deputados que a pauta de bets no Brasil é uma pauta propositiva”, concluiu.
