A maioria deles saiu pela porta da repartição sem uma despedida. Depois de trinta anos, vinte e sete, trinta e dois anos de expediente, o último dia de trabalho terminou como qualquer outro, sem cerimônia, sem agradecimento, sem tchau. Na noite desta quarta-feira (29), cinquenta servidores aposentados da Prefeitura de João Pinheiro receberam o reconhecimento que não tiveram na saída.
A homenagem reuniu quem deixou o serviço público entre janeiro de 2025 e julho deste ano, gente da saúde, da educação, da limpeza urbana e da área administrativa. Professores, garis, telefonistas, servidores de gabinete. Alguns não puderam comparecer porque estavam viajando, em tratamento de saúde ou porque se mudaram da cidade. Outros voltaram de longe só para estar ali.
Segundo a vice-prefeita Vera Coelho, a cerimônia nasceu de uma inquietação antiga, dela própria como servidora, de ver colegas entregarem uma vida inteira ao município e saírem sem nada. "É o momento de dizer para os servidores: obrigado por tudo", afirmou. Já o prefeito Gláucon Cardoso destacou o tempo de casa da maioria dos homenageados. "Boa parte deles com mais de 30 anos de serviço, dedicados à nossa população, transformando o município de João Pinheiro no que esse município é hoje", disse.
A sensação de sair sem despedida apareceu em mais de uma conversa durante a noite. Professora aposentada após 32 anos, Clênia Márcia resumiu o que muitos sentiram. "Eu achei estranho, quando eu saí, sem um tchau, sem um muito obrigada", contou ela, que começou na zona rural em 1994 e veio de Patos de Minas, onde mora hoje, para participar da cerimônia.
Para quem passou décadas atendendo o público, o gesto pesou mais do que qualquer outro reconhecimento. Com 27 anos de município, a professora Andreia Maria foi direta ao comparar. "Todo profissional espera um reconhecimento salarial, um aumento salarial é muito bom, é muito importante. Mas essa homenagem é muito mais valiosa do que o aumento salarial", disse, com a medalha na mão.
Do outro lado do balcão, a lógica era a mesma. Edilma encerrou 31 anos de serviço público no dia 18 de junho, na tesouraria da Secretaria da Fazenda, depois de começar como telefonista, cumprindo expediente das 7:30h às 13:30h. Conhecida por gerações de moradores que precisaram resolver alguma coisa na Prefeitura, ela resumiu a carreira em uma frase. "O meu papel era servir", disse, lembrando que fazia questão de que ninguém fosse embora sem resposta. Ao olhar para os colegas reunidos, deixou o recado que fechou a noite: "É com muita alegria que eu estou aqui. Vivamos o momento presente".
Fica também a homenagem do JP Agora a cada servidor que dedicou anos de trabalho ao município. Que o reconhecimento chegue, mesmo que tarde, como forma de respeito por uma trajetória inteira de serviço prestado à população.
