Eles passaram o dia juntos: foram ao cartório, ao despachante e por fim ao banco, tudo para fechar a compra e venda de um carro. Só depois que o dinheiro saiu da conta é que os dois perceberam que ambos haviam sido enganados pela mesma pessoa. O caso foi registrado nesta quarta-feira (29), no Centro de João Pinheiro, e envolve o chamado "golpe do anúncio clonado".
Segundo apurado pelo JP Agora, o dono do veículo, um motorista de 49 anos, havia anunciado o Fiat Pálio branco em uma rede social por R$ 21.999,00, cerca de quinze dias antes. Pouco depois, foi procurado por um interessado que se identificou como morador de Lagoa Grande e explicou uma história para justificar a negociação: teria desfeito uma sociedade envolvendo um trator e precisaria repassar um veículo a um primo como parte do acerto. Combinaram data, horário e local para a apresentação do carro.
Do outro lado, um homem de 48 anos havia visto um anúncio do mesmo veículo, só que pelo valor de R$ 11.500,00, quase metade do preço original. Ao procurar o número divulgado, foi atendido pela mesma pessoa, que disse que o carro estava em João Pinheiro e que um suposto primo faria a apresentação do automóvel. Nenhum dos dois sabia que o interlocutor era o mesmo, nem que os valores conversados eram diferentes.
Na data marcada, comprador e proprietário se encontraram e seguiram juntos para toda a papelada, sem qualquer desentendimento entre eles. Já na agência bancária, e com a concordância do dono do carro quanto ao destino do dinheiro, o comprador realizou uma transferência de R$ 11.500,00 para uma conta indicada pelo suposto intermediador, em nome de uma terceira pessoa, em uma agência de Santa Catarina. Foi só após a confirmação da transferência que os dois entenderam a armadilha e não conseguiram mais contato com o homem.
A Polícia Militar acionada no local ainda procurou funcionários da instituição bancária, que informaram que os valores já haviam sido processados e enviados à conta de destino, restando apenas as providências administrativas do banco. O carro permaneceu com o comprador até decisão da autoridade competente, e as duas vítimas foram orientadas sobre as medidas cabíveis. O caso segue sob apuração da Polícia Civil.
Na modalidade de fraude identificada pelos militares, o golpista copia um anúncio verdadeiro de veículo, mantém contato separadamente com o dono e com o comprador, apresenta valores diferentes para cada um, promove o encontro entre as partes sem revelar sua atuação e faz com que o pagamento seja direcionado à conta de um terceiro.
