Na noite de Natal de 2005, um homem entrou armado num bar do bairro Água Limpa, em João Pinheiro, e atirou contra um desafeto. Condenado pelo crime em 2019, ele nunca se apresentou para cumprir a pena. Clebis Santiago de Assis foi preso nesta quinta-feira, 15 de outubro, no vilarejo de Vila das Almas.
A Polícia Militar recebeu a informação de que havia dois mandados de prisão em aberto contra ele e, depois de algumas diligências, encontrou Clebis no vilarejo. Na abordagem, ele deu um nome falso aos policiais. Só depois admitiu quem era. Com os mandados confirmados, foi preso pelo processo do crime de 2005 e por um segundo processo, de 2023, e levado à Delegacia de Polícia Civil.
O crime aconteceu em 25 de dezembro de 2005, por volta das 20:00h. A Rua Emílio Lopes Cançado estava fechada para uma rua de lazer, e Ronildo Moreira da Silva estava sentado com amigos dentro do bar. Segundo o processo, Clebis entrou com um revólver na mão e começou a atirar. Atingido nas costas e no ombro, Ronildo saiu correndo, e Clebis foi atrás, disparando mais vezes. Foram cerca de seis tiros. No fim da perseguição, de acordo com o Tribunal de Justiça, Clebis apontou a arma para a cabeça de Ronildo e puxou o gatilho, mas o revólver já estava sem munição. Marina Pires de Andrade, que na época era adolescente e estava na rua de lazer, levou um tiro de raspão no dedo da mão direita.
Ronildo foi levado ao Hospital Municipal e depois transferido para Brasília, onde ficou internado por uma semana. Sobreviveu e não ficou com sequelas. A briga entre os dois vinha de 2003, quando se esbarraram durante a festa do Parque de Exposições, discutiram e acabaram trocando socos. Na Justiça, Clebis admitiu os tiros, mas disse que vinha sendo ameaçado e que atirou porque Ronildo levou a mão à cintura, como se fosse sacar uma arma. Os jurados não aceitaram essa versão e reconheceram o motivo fútil e o fato de a vítima não ter tido chance de se defender.
Clebis fugiu logo depois do crime, e a Justiça decretou a prisão preventiva dele. Em janeiro de 2014, ele foi preso, mas saiu no mês seguinte após pagar fiança. O julgamento pelo Tribunal do Júri aconteceu em 23 de julho de 2019, e ele não compareceu. Foi condenado a 16 anos e 4 meses de prisão por duas tentativas de homicídio: uma contra Ronildo e outra contra Marina, atingida pelo tiro. A defesa recorreu, e em agosto de 2021 o Tribunal de Justiça de Minas Gerais reduziu a pena para 13 anos, em regime fechado.
Desde então, o mandado de prisão estava em aberto. Agora, quase 21 anos depois dos tiros, ele vai começar a cumprir a pena.
