Fazendeiros comentam sobre o incêndio florestal da Fruta D’antas, um dos maiores da história de João Pinheiro

O fogo consumiu mais de 90% de uma propriedade rural

O tempo seco e as altas temperaturas causaram incêndios florestais de grandes proporções em todo o Estado de Minas Gerais. Em João Pinheiro, a primeira grande queimada foi registrada ainda em setembro, no dia 22, quando o fogo destruiu mais de 600 hectares da Fazenda São Geraldo. O início do mês de outubro foi marcado por outros dois incêndios de grandes proporções na região de Fruta D’antas. Agora que as chamas foram completamente controladas, os proprietários rurais contabilizam os prejuízos. O JP Agora entrevistou dois deles sobre o assunto.

As imagens causaram espanto em razão da altura das chamas e da quantidade de fumaça, que podia ser vista no céu no centro de João Pinheiro, há mais de 100 km de distância da origem do fogo. O desespero dos fazendeiros foi grande e a mobilização entre eles foi o principal destaque para o controle do fogo.

A Prefeitura de João Pinheiro também ajudou no combate às chamas com a disponibilização de um caminhão pipa, que serviu para reabastecer os demais e também atuou na linha de frente.

”Nunca vi na minha vida um fogo desse tipo”

José Raimundo Mesquita tem 59 anos de idade e reside na sua propriedade rural na região de Fruta D’antas há 26 anos. Segundo ele, o fogo pulou o rio ainda na quinta-feira (01), mas foi controlado, até que voltou com tudo na tarde de sexta-feira (02) depois que fortes ventos trouxeram novas chamas. O incêndio consumiu 93,33% das pastagens da propriedade, que possui 150 hectares no total. José contou que nunca viu algo parecido em toda a sua vida.

“O fogo chegou muito forte, de um jeito que eu nunca havia visto na vida. O sentimento de desespero tomou conta e contamos com a ajuda de Deus e dos vizinhos para controlar as chamas, mas 140 de 150 hectares foram queimados. 8 km de cerca de arame liso foram perdidos, além dos pastos. Trabalho de 14 a 15 horas por dia e vi tudo virar cinzas em questão de minutos” contou o fazendeiro em entrevista concedida através de ligação telefônica ao JP Agora.

Já na propriedade de Divino Batista dos Santos, o incêndio destruiu a maioria da reserva legal. Ele contou que utilizou da técnica do contrafogo para segurar o avanço das chamas e deu certo, mas, mesmo assim, os prejuízos poderão ser sentidos no futuro.

“O fogo chegou aqui no sábado e aproveitamos que o tempo ainda não estava tão quente e utilizamos da técnica do contrafogo. A reserva legal foi a parte que mais foi danificada da fazenda. A gente luta para preservar e o fogo acabou com tudo em questão de minutos”, contou Divino, de 61 anos de idade, proprietário rural na região de Fruta D’antas desde a implantação do projeto.

Corpo de bombeiros

O assunto do corpo de bombeiros de João Pinheiro voltou a ser destaque nas redes sociais nos dias dos incêndios. Procuramos informações sobre a atual situação do projeto de implantação. Segundo nos foi passado pela prefeitura, já houve a publicação da implantação no Diário Oficial do estado e as adaptações no local onde será implantado, nas instalações do DER, começarão em breve.

A previsão é que seja inaugurado em julho do ano que vem.

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Jararaca Ensaboada
1 ano atrás

É isso ai, galera. Vamos destruir mais a natureza, desmatar vegetação nativa, poluir bastante os rios, reproduzir igual rato e depois pedir casa e dinheiro para o governo, usar bastante sacola plástica, matar os animais silvestres. É isso ai, Alegria Alegria . . . a fatura já esta chegando.

Frutadantense raiz
1 ano atrás

Teve gente que achou que a mobilização e o compartilhamento dos vídeos nas redes era divulgação de fake news. Convido para ir lá tirar a prova. Na região onde morava o sr. Luiz Macedo, o lote do Silvésio, do Afonso Aroeira, do André Moreira. Muita perda. Situação muito triste.

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