João Pinheiro deu um passo que pode mudar o futuro da cidade e de toda a região Noroeste de Minas. O evento Invest João Pinheiro, realizado nesta sexta-feira (24) no Rotary Club, reuniu centenas de empresários, produtores rurais e moradores para o anúncio de um investimento de peso: a instalação de um polo agroindustrial da CH Foods, que promete gerar 7.700 empregos diretos e movimentar cerca de R$ 2,3 bilhões por ano na macrorregião.
A CH Foods faz parte de um grupo empresarial com mais de 100 anos de tradição no mercado de proteína animal. Wellington Chaves, presidente da empresa, explicou o motivo da escolha. “A CH Foods veio para João Pinheiro com o intuito de desenvolver a agroindústria da região. É uma região que tem uma logística muito favorável, e tem condições de atender um parque industrial do agronegócio, como frigoríficos, abatedouros e indústria de embutidos”, afirmou. O grupo já atua há 30 anos com abate de animais e possui um dos maiores confinamentos do Brasil, mas até então não operava com marca própria. O projeto em João Pinheiro muda isso: a ideia é levar a qualidade do campo direto para a mesa do consumidor com o selo CH Foods, tanto no mercado nacional quanto na exportação para Europa e Ásia.
Daniel Couto de Brito, médico veterinário e projetista do empreendimento, detalhou os números. “A gente tem uma estimativa em torno de 7.700 empregos diretos. E cada emprego direto gera em torno de 2,1 empregos indiretos, como transporte de grãos, animal vivo, produto acabado e comércio”, explicou. Segundo ele, o projeto é considerado conservador para o setor, mas foi pensado para criar bases fortes na cidade e crescer de acordo com a demanda. A localização de João Pinheiro, no centro do país, foi apontada como o grande diferencial, já que os principais projetos do setor hoje estão concentrados no Paraná e Santa Catarina.
O evento também contou com a presença de Rafael, representante da Invest Minas, empresa pública de atração de investimentos do estado. Ele elogiou a iniciativa e destacou o potencial da cidade. “Somente 18% do maior município de Minas Gerais está sendo explorado economicamente pelo agronegócio. Existe a previsão de 10 bilhões de pessoas necessitando comer em 2050. E João Pinheiro pode despontar”, afirmou, classificando a cidade como referência no estado.
O prefeito Gláucon Cardoso celebrou o momento e reforçou os números. “Só um dos investimentos vai trazer 7.700 empregos diretos, mais de 20 mil indiretos. Isso vai mudar nossa estrutura, a agricultura, a pecuária e a indústria. O poder de consumo vai aumentar muito”, disse. O prefeito revelou que conheceu Wellington Chaves em Brasília e que, desde o final do ano passado, trabalhou para convencê-lo a investir na cidade. “Eu falei com ele que o lugar dele investir seria em João Pinheiro. Aqui nós vamos empatizar vidas e trazer desenvolvimento”, contou. Gláucon também anunciou que enviará um projeto à Câmara Municipal para conceder incentivos fiscais à empresa, e destacou que serão mais de 200 carretas por dia circulando pela região com soja, milho, ração, suínos, aves e bovinos.
José de Souza Moura Júnior, presidente do Codem (Conselho de Desenvolvimento Econômico), ressaltou que o Invest João Pinheiro será incorporado ao calendário anual do município e elogiou a ousadia do prefeito em buscar referências no modelo de Maringá. “João Pinheiro tem uma logística privilegiada, cortado por duas BRs, a 365 e a 040. Eu até brinco, a gente está na esquina do Brasil”, comparou Júnior, que também é empresário e natural da cidade. Ele projetou que João Pinheiro pode se tornar uma referência como Luiz Eduardo Magalhães (BA), Rio Verde (GO) e Lucas do Rio Verde (MT).
O primeiro Invest João Pinheiro marcou o início de uma nova fase para a cidade. Com investimentos bilionários no horizonte, apoio institucional da Invest Minas, parcerias com FIEMG, SEBRAE e Emater, e uma comunidade engajada, João Pinheiro se posiciona como a próxima grande aposta do agronegócio no centro do Brasil.
