Teve quem fizesse o caminho descalço, quem acordasse antes das 4:00h para chegar a pé e quem levasse a filha pequena vestida de Nossa Senhora. Neste 12 de outubro, o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, na Coenge, recebeu fiéis de todas as idades, e cada um carregava uma história de gratidão. Quase sempre, o motivo era o mesmo: agradecer.
Regiane Souto da Silva Couto saiu de João Pinheiro a pé e prometeu voltar do mesmo jeito, sem calçados. "Não é pedir, é agradecer. Só de estar aqui respirando, só de poder vir descalça, caminhando, já é uma bênção", diz. Para quem ficou em casa, ela deixa um recado: "Tem que vir, porque é a nossa tradição. É o que nos alimenta todo dia, é a nossa fé."
Para Edilson Santos, ir à Coenge é um costume que vem de família, desde quando ele era criança. Neste ano, ele acordou quase às 4:00h, fez o trajeto a pé e levou doces para distribuir às crianças, pagando uma promessa. A graça, segundo ele, veio há cerca de três meses, em um dia em que a capela estava fechada para a reforma. Um pintor que trabalhava lá dentro abriu a porta, e Edilson entrou para rezar. "Pedi a Nossa Senhora Aparecida uma bênção e fui abençoado imediatamente", conta. "Sentir a gratidão no rosto das crianças é algo que dinheiro nenhum no mundo vai pagar."
Entre os romeiros, uma menininha vestida de Nossa Senhora Aparecida chamava a atenção. A mãe conta que a filha mais velha nasceu com problemas de saúde. Quando engravidou da caçula, ela prometeu que, se a criança nascesse saudável, a levaria ao santuário por três anos seguidos, vestida como a Padroeira, e distribuiria lembrancinhas para outras crianças. A menina nasceu bem, e a promessa está sendo cumprida.
Outra devota fez o caminho carregando a imagem da santa nos braços. Ela conta que, há pouco tempo, enfrentou uma gestação de risco e chegou a ficar entre a vida e a morte, perdendo o útero. "Eu pedi a ela para me ajudar, me dar força. Ela concedeu o meu pedido, e graças a Deus eu estou aqui", diz. Ela vai à Coenge todos os anos, mas, desta vez, foi para pagar a promessa.
Também houve quem preferisse guardar a graça para si. Marcela Silveira Pereira dos Santos foi ao santuário agradecer por uma bênção que boa parte da família ainda nem sabe. "É algo muito íntimo. Mas Nossa Senhora e Nosso Senhor Jesus Cristo sabem qual é", diz, com um sorriso.
As histórias mudam de pessoa para pessoa, mas a resposta para a pergunta "o que é Nossa Senhora para você?" foi quase sempre a mesma. "Tudo", disseram. "É mãe." E é essa mãe que, ano após ano, faz João Pinheiro inteira caminhar até a Coenge.
