Passados mais de dois anos desde que um caso de violência extrema por causa de choro por cólicas contra uma bebê chocou João Pinheiro e ganhou repercussão nacional, veio a sentença. Nesta segunda-feira, 27 de julho, o Tribunal do Júri condenou o pai da bebê que teve as duas pernas e a clavícula quebradas em 2023 a 31 anos e 3 meses de prisão, em regime fechado. A mãe da criança também foi julgada e condenada a 3 anos, em regime aberto.
João Paulo Silva de Souza foi condenado por tentativa de homicídio contra a própria filha, então com apenas dois mês de vida. Já a acusação contra Sara Silveira Gonçalves foi desclassificada pelos jurados para lesão corporal, pois entenderam que ela agiu apenas por omissão, o que resultou em uma pena substancialmente menor e no cumprimento em regime aberto.
O caso veio à tona em maio de 2023, quando a bebê deu entrada no Hospital Municipal de João Pinheiro com as duas pernas e a clavícula quebradas, e ganhou repercussão em todo o país. Segundo o depoimento prestado pela mãe na Delegacia de Polícia Civil à época, as agressões teriam ocorrido na tarde de sexta-feira, 19 de maio, durante uma crise de cólica da criança. Ela relatou que o pai teria começado a bater na filha por causa do choro insistente e chegou a arremessá-la contra o chão diversas vezes, provocando as lesões. Ainda conforme a versão apresentada por ela, o companheiro passou a ameaçá-la de morte caso chamasse a polícia ou levasse a menina ao hospital, o que a teria feito esperar três dias para pedir socorro. A criança só chegou ao atendimento médico na segunda-feira seguinte, quando ele saiu para trabalhar.
Durante as investigações, o caso ganhou um capítulo ainda mais grave. No mesmo depoimento, a mãe afirmou que o companheiro também havia matado outro filho do casal, igualmente recém-nascido, no ano anterior, sufocado com um travesseiro enquanto chorava. A morte havia sido investigada em 2022 e, na ocasião, ela sustentou que a criança teria morrido por causas naturais, versão que só mudou quando foi novamente ouvida em 2023. O laudo da época apontava possível asfixia mecânica como causa da morte, o que levou a Polícia Civil a retomar a apuração.
Os dois estavam presos preventivamente desde maio de 2023, quando a Justiça acolheu a representação da Polícia Civil pela prisão do casal, em razão da gravidade dos fatos e do histórico de violência doméstica entre eles. Com a decisão do júri, o pai segue em regime fechado, enquanto a mãe passa a cumprir pena em regime aberto. O JP Agora não conseguiu mais informações sobre o caso, que tramitou em segredo de Justiça.
