A Polícia Civil de João Pinheiro instaurou um inquérito para apurar um suposto desvio de dinheiro em uma loja de roupas da cidade após o dono registrar a ocorrência. Tudo começou quando uma pessoa que comprava peças da loja no varejo estranhou o fato de sempre pagar as compras diretamente para a então gerente, e não para a empresa. Segundo apurado pelo JP Agora, ao comentar isso com o dono do estabelecimento, a compradora mencionou um valor: mais de R$ 18 mil pagos recentemente daquela forma, sem que o dinheiro tivesse entrado na empresa. A então gerente, por sua vez, nega furto, estelionato e apropriação indevida, e afirma que a proprietária sabia de tudo e orientava a rotina que hoje é questionada.
A partir desse relato, os proprietários passaram a conferir outras movimentações. A mulher trabalhava na loja havia quase uma década e ocupava cargo de confiança. A suspeita é de que ela teria realizado vendas tanto no atacado quanto no varejo e recebido os pagamentos diretamente dos clientes, sem que os valores chegassem ao caixa da empresa.
O estoque, que também estava sob responsabilidade dela, entrou na apuração. Segundo informações, peças apareciam faltando nos balanços, e a justificativa apresentada seria a de que os produtos haviam sido enviados a clientes em condicional, prática comum no comércio de roupas, em que a peça sai da loja para o cliente experimentar em casa e é paga só depois, caso fique. A suspeita é de que essa explicação teria sido usada para cobrir a ausência das mercadorias.
Segundo informações extraoficiais, a estimativa é de que o prejuízo acumulado ao longo dos anos possa ultrapassar R$ 500 mil. Esse número ainda não foi confirmado, e definir o tamanho real do rombo é justamente uma das funções do inquérito.
Ainda conforme apurado pelo JP Agora, a empresa não parou no registro da ocorrência e entrou com duas ações judiciais, uma na Justiça do Trabalho e outra na esfera criminal, buscando a reparação do prejuízo. Segundo informações, o sentimento entre os proprietários é de traição, já que ela era tratada como alguém da casa.
Após a descoberta, a funcionária foi demitida por justa causa e a ocorrência foi registrada na Delegacia de Polícia Civil. Procurada pela reportagem, a empresa preferiu não se manifestar.
O outro lado
A defesa da ex-gerente contesta integralmente. Em nota enviada à reportagem, sua defesa afirma que não houve qualquer prática de furto, estelionato ou apropriação indevida de valores, e que a narrativa apresentada na ocorrência não corresponde à realidade.
Ainda segundo a nota, a acusação foi recebida com surpresa, tanto pela relação de confiança construída ao longo dos anos quanto por um ponto central da defesa: as operações agora questionadas seriam de conhecimento da proprietária do estabelecimento, a quem eram repassadas informações e de quem partiam as orientações sobre a rotina adotada. Essa versão, assim como a da empresa, não foi comprovada e será objeto de apuração.
A defesa informa que está reunindo a documentação relacionada ao caso para apresentar à autoridade policial, com quem afirma que haverá plena colaboração. E acrescenta que estão sendo adotadas medidas legais em relação à conduta da empresa, incluindo a formalização de notícia-crime perante a autoridade competente e o ajuizamento de ação trabalhista.
"Há plena confiança de que a apuração e a análise dos elementos de prova permitirão o completo esclarecimento da situação", diz o texto enviado pela defesa.
Até o momento não há acusação formal, indiciamento ou qualquer decisão judicial sobre o caso. O inquérito é a fase em que a polícia reúne elementos para verificar se houve crime e quem seria o responsável, e todos os envolvidos são presumidos inocentes até decisão definitiva da Justiça.
Como se proteger na hora de pagar
Independentemente do desfecho deste caso, a orientação vale para qualquer compra no comércio. Pagamentos devem ser feitos sempre para a conta da empresa e nunca para conta pessoal de funcionário, gerente ou vendedor.
Antes de fazer o Pix, confira se o nome que aparece na chave é o da loja. Exija nota fiscal ou comprovante em nome do estabelecimento em toda compra, e desconfie se pedirem para transferir para conta de pessoa física, mesmo que seja alguém de confiança e mesmo que o valor seja pequeno. Guardar os comprovantes também ajuda, porque foi justamente um cliente com registro dos pagamentos que deu origem a esta apuração.
