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Professor acusa Polícia Militar de racismo em Brasilândia de Minas após abordagem dentro de ônibus

O JP Agora seguirá acompanhando o caso e trará a notícia caso alguma providência seja adotada.

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O jovem professor de técnico em agropecuária Orcelito Pereira, de 26 anos, publicou um vídeo na rede social Facebook acusando a Polícia Militar de Brasilândia de Minas de racismo depois que ele foi alvo de uma abordagem dentro de um ônibus. O assunto repercutiu bastante e o JP Agora procurou o comando da PM para que o caso fosse esclarecido. Confira, a seguir, o que disse o Capitão Renilson Guido sobre o caso.

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No vídeo, Orcelito Pereira detalha como tudo aconteceu. Segundo ele, depois de um dia de várias aulas ministradas na escola agrícola de Natalândia, ele embargou em um ônibus que vinha de Brasília com destino a Brasilândia de Minas e, depois de todo o percurso, foi abordado de forma discriminatória por três policiais militares.

Emocionado, Orcelito contou no vídeo sobre sua trajetória de vida e sobre o quanto se sentiu mal com a abordagem policial. “Eu tenho 26 anos, sou técnico em agropecuária. Fui formado na escola agrícola de Natalândia, me formei no ano de 2015 e desde então eu trabalho nessa instituição de ensino como professor. Eu sempre acreditei que a educação é libertadora e pode contribuir muito com a vida das pessoas de um modo geral. Durante 6 anos de professor, a cada dia venho buscando a excelência de mim mesmo para que todos os estudantes conseguirem compreender de verdade qual o seu papel dentro da sociedade” contou o jovem nos primeiros minutos do desabafo feito no Facebook.

Na sequência, o professor passou a contar os detalhes do dia da abordagem. Segundo ele, assim que embarcou, visualizou um policial militar sentado nos fundos do ônibus e se sentou próximo a ele. “Após ir para a escola ministrar diversas aulas, eu esperei no ponto para pegar o ônibus da Santa Isabel que vem de Brasília para Brasilândia. Me lembro que quando entrei no ônibus, tinha um policial militar sentado no fundo e aí na minha cabeça eu pensei ‘vou sentar perto desse policial porque teoricamente ele é um representante da segurança pública do nosso estado’. Pois bem, sentei próximo e vim a viagem inteira” disse Orcelito.

Depois de todo o trajeto, o professor contou que foi surpreendido pelo policial militar dentro do ônibus. Ele pediu para que o jovem descesse e, logo em seguida, outros dois militares chegaram e a abordagem começou. “Quando chegou em Brasilândia de Minas, ele pediu para eu descer em um ponto que não era o meu. Eu falei que meu ponto era mais à frente. Nessa hora, entrou dois policiais militar dentro do ônibus, mais esse terceiro que já tinha lá. Esse terceiro abriu minha bolsa, eu tinha dado atividade para os estudantes e tinha separado tudo certinho. Esse policial abriu minha bolsa e petecou tudo, misturou as turmas tudo. Pediu para eu ficar de costa igual como se eu fosse um bandido do PCC, do Comando Vermelho, das facções criminosas que tem no país. Perguntou se eu tinha passagem pela polícia e também perguntou se tinha droga dentro da bolsa” contou o professor a respeito do início da abordagem policial.

Orcelito seguiu dizendo que acredita que foi abordado em razão da cor da sua pele, já que nenhuma outra pessoa que estava no ônibus foi revistada e ele era o único negro, motivo pelo qual acredita que os policiais agiram com racismo. “Eu senti extremamente racista e preconceituosa essa abordagem. Eu sou negro graças a Deus, tenho muito orgulho dessa cor que eu tenho, que eu carrego, que tem muita história de superação no nosso país desde o processo de escravidão até hoje. Diante de todo esse contexto, em 26 anos de vida eu nunca me senti tão humilhado publicamente de ter que ficar de costas, de ter que ficar com a mão na cabeça parecendo um bandido, e ter minhas coisas todas revistadas. Eu vivi 26 anos para eu provar na pele o que é nascer preto em um país extremamente preconceituoso, racista como é o Brasil. Nem todas as pessoas são racistas, nem todos os policiais não são racistas, mas, infelizmente, ainda existe muito nesse meio e acaba deixando a gente indignado com esse tipo de situação” salientou o professor.

O professor frisou, ainda, que estava de uniforme da escola e, mesmo assim, foi revistado, o que lhe causou sensação de extrema humilhação. “Muito revoltante mesmo, é uma sensação que não tem nem como descrever. Eu não tive nem reação na hora que isso nunca aconteceu comigo de lanterna no olho, lanterna olhando de baixo da cadeira se não tinha jogado droga alguma coisa assim. Observação, eu estava com o uniforme da escola, com o uniforme da instituição de ensino que eu trabalho e tenho muito orgulho de trabalhar há 6 anos. E não foi suficiente para eu ter alguns direitos reservados” disse Orcelito.

Ao final, o professor apontou, mais uma vez, como racista a atitude dos militares que fizeram a abordagem. “Foi racista porque nesse mesmo ônibus tinha mais ou menos umas dez pessoas, todas essas outras pessoas, depois eu fiz questão de observar, não eram negras. Eu era o único negro que tinha dentro do ônibus e eu fui o único que teve suas coisas revistadas. Os demais não tiveram nada revistado. Só eu passei por esse constrangimento e aqui estou demonstrando minha revolta e minha indignação por esse ato racista.”

https://web.facebook.com/orcelito.pereira.1/videos/483015913462363

Polícia Militar garantiu que a abordagem foi padrão

Depois que o assunto chegou ao conhecimento da redação do JP Agora, nossa equipe de reportagem contatou o Capitão Renilson Guido para apurar a versão da Polícia Militar sobre o ocorrido. Bastante solícito, o policial ressaltou que a instituição não coaduna com qualquer tipo de discriminação e pontuou que há vários policiais negros integrando a tropa de Brasilândia de Minas.

“A Polícia Militar não coaduna com qualquer tipo de discriminação. No que se refere a discriminação racial, é bom lembrar que grande parte da tropa da PM é da cor negra. Então, em regra, ligamos muito bem com isso porque é uma realidade nossa” iniciou o Capitão Guido na breve entrevista concedida ao site.

O Capitão Guido assistiu ao vídeo gravado pelo professor e, do que ele discorreu na gravação, o Policial Militar concluiu que se tratou de uma abordagem padrão e sem excessos.

“Quanto ao caso em si, como a gente não presenciou, eu vou falar daquilo que rege a nossa atuação. Geralmente, o Policial Militar, quando ele vai realizar uma abordagem policial, uma busca pessoal, ele se ancora no artigo 244 do Código de Processo Penal, que fala que a busca pessoal independerá de mandado e no caso de prisão, quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja de posse de arma proibida ou objetos ou papéis que constituam corpo de delito ou quando a medida for determinada no curso de uma busca domiciliar. Então, diante dessas falas, eu acredito que o policial militar ele, em algum momento, teve suspeita do cidadão abordado e, a partir de então, entendendo que deveria haver uma supremacia de força, ele solicitou apoio, quando chegaram os dois outros militares” disse o Capitão Guido à reportagem.

O capitão da Polícia Militar seguiu tecendo explicações sobre a abordagem policial. “Quando se fala em abordagem policial, também temos o caderno doutrinário que rege toda essa fase de revista e busca pessoal. Quando se fala em revista, há posições pré-determinadas, uma delas onde o policial militar se posiciona atrás do abordado, segurando os dedos do abordado sobre a sua testa fazendo ali a revista no corpo e nas vestes da pessoa, bem como as bolsas que são transportadas pela pessoa. Essa aí é geralmente uma abordagem rotineira porque ainda há níveis mais altos de abordagem onde, por exemplo, o abordado pode estar de joelhos ou até mesmo deitado, quando ele representar risco ao policial militar que essa posição seja favorável. Então a abordagem a esse cidadão foi uma abordagem de rotina” pontuou Capitão Guido.

Depois de explicar sobre o procedimento, o Capitão ressaltou que a cidade de Brasilândia de Minas passa por um momento delicado no que se refere à segurança pública. “Não podemos ser alienados a pensar que Brasilândia de Minas é um local tranquilo, todos estão cientes da criminalidade alta das pessoas. Estão andando armadas, estão matando, estão roubando, e a Polícia Militar tem feito abordagens policiais, inclusive com várias delas redundando em êxito na prisão e apreensão de pessoas que trazem riscos à sociedade” ressaltou.

Capitão Guido finalizou dizendo que a abordagem policial é necessária para a segurança pública, mesmo sendo desconfortável a quem é abordado. O policial disse, ainda, que as roupas não impedem a abordagem.

“A gente sabe que a abordagem policial pode ser desconfortável sim para qualquer cidadão de bem, mas em prol da sociedade, em prol do bem maior, infelizmente ou felizmente, algumas pessoas vão ser abordadas e é graças a isso que Brasilândia ou qualquer outra cidade não chega ao caos. Então, o posicionamento da PM é esse, a abordagem vai continuar sendo feita e caso o cidadão se ache prejudicado, se ache ofendido, as portas estão abertas para que ele apresente sua reclamação e seja apurada a responsabilidade caso tenha havido abuso ou mal uso da função de miliar. A questão do uso do uniforme, estatisticamente, temos vários casos de pessoas de má-índole que utilizam uniforme de empresas idôneas, Correios, CEMIG, COPASA, utilizam os uniformes para tentar ludibriar a polícia militar e passar sem perceber no cometimento do crime. Então, o uso de uniforme não isenta a pessoa de ser abordado não. Na realidade, muito pelo contrário. Atentamos para qualquer cidadão, desde que haja indícios de suspeição” concluiu o Capitão Guido.

O JP Agora se coloca à disposição de Orcelito para esclarecimentos adicionais.

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