Uma criança de 12 anos faleceu nos últimos dias em João Pinheiro após complicações que se desenvolveram durante o atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município. Márcio Manuel Queiroz Machado deixou pais, familiares e amigos, que se reuniram em ato em frente à Câmara Municipal para pedir justiça e apuração das circunstâncias do atendimento prestado. O cortejo fúnebre saiu neste sábado (14), e o sepultamento aconteceu no Cemitério Municipal Santa Helena.
Aos prantos, a mãe do menino contou, em entrevista ao Sputnik Voz do Povo, a sequência dos fatos. Tudo começou no dia 9 deste mês, quando ela levou o filho à UPA por causa de uma dor na perna decorrente de uma partida de futebol. “O médico examinou, tirou o raio-x e falou que estava tudo ok, receitou um antibiótico, aplicou uma dipirona na veia e mandou a gente para casa”, relatou. Segundo a mãe, a criança começou a tomar o medicamento prescrito (cetoprofeno) e, no dia seguinte, apresentou uma forte reação. “Manchas pelo corpo, febre e falta de ar. Retornei com ele para a UPA no sábado”, contou.
Ao retornar à unidade, Márcio Manuel foi internado e medicado com soro e antibiótico na veia. Como o quadro não evoluía, segundo o relato da família, o médico responsável teria proposto um procedimento mais complexo para combater a infecção. “Ele disse que tinha que fazer um procedimento para levar um antibiótico no coração para bombear lá e tentar controlar a infecção”, narrou a mãe ao Sputnik Voz do Povo. “Eu pedi a ele três vezes, pelo amor de Deus, que naquele momento eu teria condições de sair com ele dali. Ele me perguntou se eu tinha plano de saúde. Falei que não, mas que tinha condições de sair com meu filho. Ele falou: ‘Senta aí, mãe, fica quietinha, porque o procedimento é seguro e não tem perigo nenhum'”, completou.
O relato mais cortante veio na descrição do último momento em que mãe e filho conversaram. “Quando eu saí da sala para o procedimento, meu filho ainda falou comigo: ‘mãe, a senhora vai demorar voltar?’. Eu falei, ‘não, filho, vai ser rápido, daqui a pouco eu estou de volta com você’. Aí ele teve uma parada cardíaca e nunca mais voltou. A medicação foi muita, foi muita medicação para o coraçãozinho dele. Estourou tudo. Coração, fígado, rins. Acabou. Meu filho veio a óbito”, descreveu a mãe, em pranto. Devastada, ela ainda contou como entrou e saiu da unidade. “Entrou andando, falando, lúcido. E saiu morto”, lamentou.
O primo e padrinho de Márcio Manuel, Marcos Paulo, também participou do ato em frente à Câmara e fez um desabafo emocionado ao Sputnik Voz do Povo. “Meu primo, meu afilhado, entrou andando na UPA. Um menino que não tinha nenhum problema de saúde, não tomava nenhum medicamento controlado. Uma criança que, na época da Copa, empolgada com os jogos, foi jogar bola com os colegas. Foi apenas na UPA para receber socorro por uma dor na panturrilha”, declarou.
O JP Agora entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde de João Pinheiro e com a direção da UPA, e aguarda manifestações oficiais sobre o caso. O espaço segue aberto para que a unidade e os profissionais envolvidos possam apresentar suas versões. Matéria em atualização.
