Uma noite marcada por agressões, ameaças e muito medo movimentou um condomínio na zona rural de João Pinheiro na madrugada deste sábado (21). Segundo a Polícia Militar, um corretor de imóveis de 41 anos teria agredido a própria companheira, danificado o veículo dela e ainda ameaçado matar um conhecido com uma faca. O JP Agora procurou o corretor para se manifestar sobre o caso, e ele informou que enviaria uma nota através de seu advogado, mas, até o fechamento desta publicação, o posicionamento não havia sido encaminhado.
De acordo com o boletim de ocorrência, a confusão teria começado após o casal ingerir bebidas alcoólicas na residência do corretor, no Centro da cidade. Movido por ciúmes, ele teria danificado o celular da companheira. Em seguida, a dupla se deslocou para um condomínio na região do Rio da Prata, onde o comportamento dele teria se agravado. Segundo o relato da vítima aos militares, ele teria passado a ofendê-la e, durante a discussão, teria desferido um tapa em seu rosto e puxado seus cabelos.
A situação teria escalado rapidamente. Ainda conforme o boletim, o suspeito teria se dirigido ao carro da companheira e danificado o retrovisor, a lanterna traseira e a lateral do veículo. Não satisfeito, teria voltado a investir contra a vítima, desferindo um chute em sua perna, fazendo com que ela caísse e batesse a cabeça contra uma parede, sofrendo um corte com sangramento. A vítima foi socorrida e levada à UPA, onde recebeu atendimento médico. Ela manifestou interesse em solicitar medidas protetivas de urgência, relatando temer por sua integridade física.
Suspeito teria ameaçado matar morador do condomínio
Além das agressões à companheira, o caso ganhou contornos ainda mais graves. Segundo o relato registrado pela Polícia Militar, o suspeito teria afirmado que mataria um morador do condomínio, conhecido da vítima, e se deslocado até a residência dele portando uma faca. O morador relatou aos militares que chegava ao local dirigindo seu veículo quando foi surpreendido pelo suspeito, que teria tentado agredi-lo ainda dentro do carro. Ele conseguiu escapar e evitar a agressão. Antes da chegada da polícia, o corretor deixou o local com o auxílio de pessoas não identificadas.
Segundo apurado pelo JP Agora, este não seria o primeiro episódio envolvendo o suspeito e a companheira. Conforme registros policiais anteriores, ele já teria danificado o veículo da vítima em outra ocasião, também motivado por crises de ciúmes.
Parente relata histórico de violência e teme por novas represálias
Em contato com a reportagem, uma pessoa próxima à vítima, que prefere não se identificar, relatou que o histórico de agressões e conflitos entre o casal é antigo, durando mais de cinco anos. Segundo essa fonte, o suspeito já teria quebrado o portão da residência, danificado outros pertences da companheira e protagonizado discussões que exigiam intervenção policial recorrente.
“Isso não é de hoje. Vários policiais sabem, porque eu mesma já chamei a polícia outras vezes”, afirmou. A familiar também alega que ele já teria oferecido dinheiro para obter informações e fotos que comprovassem a localização da companheira, e que em outra ocasião chegou a invadir uma residência de conhecidos ao saber que ela participava de uma confraternização no local. “Ele já entrou até na casa de um conhecido nosso?”, desabafou. A mãe da mulher agredida, uma idosa, teme represálias.
Mãe de homem vítima das ameaças grava vídeo pedindo ajuda
Após o fato, a mãe de um dos envolvidos gravou vídeos publicados nas redes sociais, em tom de forte comoção, pedindo ajuda e justiça. Aos prantos, ela afirmou estar fazendo "um pedido de socorro como mãe" e relatou o desespero de imaginar que algo pudesse acontecer ao filho, que segundo ela é trabalhador e não teria envolvimento com o conflito. A publicação repercutiu na cidade e ajudou a dar visibilidade ao caso.
O JP Agora procurou o corretor, que informou que enviaria uma nota sobre o caso através de seu advogado. "Diante dos fatos relatados, tem muitas informações incoerentes. Entrei em contato com o advogado e vou querer esclarecer essa situação", afirmou. No entanto, até o fechamento desta publicação, o posicionamento oficial da defesa não havia sido encaminhado. A Polícia Civil deve dar continuidade às investigações, e o espaço permanece aberto para a manifestação da defesa do suspeito. Matéria em atualização.
