A Rodoviária de João Pinheiro, que deveria ser um ponto de acolhimento para viajantes, transformou-se em um cenário de caos, medo e degradação. Comparada a uma “cracolândia”, o terminal hoje afasta passageiros e castiga comerciantes. Relatos colhidos pelo JP Agora revelam que a situação ultrapassou todos os limites da segurança pública.
O empresário e jornalista Jefferson Sputnik descreveu cenas de desrespeito absoluto. Segundo ele, andarilhos e criminosos tomaram conta do espaço, chegando a prender mulheres dentro dos banheiros. “Pessoas lá dentro se masturbando, sem um pingo de medo ou respeito. A situação fugiu à normalidade e está insustentável”, desabafou.
A desordem é visível até na estrutura do prédio, que passou a ser usada como lavanderia improvisada. “Colocaram um varal porque fizeram do banheiro uma lavanderia. Lavam roupa e estendem em volta da rodoviária. Quem passa pensa que ali virou uma casa, uma verdadeira casa da mãe Joana”, relatou Sputnik.
Os usuários se sentem inseguros. Clara, de 18 anos, expressou vergonha: “Hoje a rodoviária está impossível de embarcar aqui. A gente foi viajar à noite e estava cheio de mendigo. Não tinha nem condição de sentar aqui. As pessoas que vêm de fora, eu sinto vergonha por elas”. Dona Angela Barbosa Franco concorda: “Não sinto segurança, não. Está deixada demais. É andarilho, é tudo quanto há aqui. A gente não tem confiança em ficar aqui, não”.
Para os taxistas, a situação é ainda mais grave. O Sr. Alaide, taxista há anos, afirma: “Não tenho segurança nenhuma. Aqui à noite só tem bagunça, só gente drogada e bandido. Nós taxistas aqui nunca temos condições de trabalhar à noite”. Ele revelou ter presenciado muitas cenas tristes, incluindo o assalto a colegas e a morte de quatro taxistas por bandidos no local.
Comerciantes também sofrem. Dona Aparecida, que trabalha há 34 anos na rodoviária, viu a situação piorar drasticamente nos últimos 4 ou 5 anos. “Já fui agredida. Ele me persegue, ele anda atrás de mim na rua. Eu tenho que andar de comércio em comércio escondendo ele, porque ele me vigia até na porta da minha casa”, contou, referindo-se a um dos andarilhos. Ela, que criou quatro filhos trabalhando ali, hoje não tem coragem de trazer nem adultos para o local.
Valdemir Barbosa da Silva, outro cidadão, resume o sentimento: “Isso é uma porcaria. João Pinheiro não merece uma rodoviária dessas. Uma pessoa que vem de fora e vê uma rodoviária dessas, o que é que se sente? Uai, é vergonha, né?”. Ele aponta para a falta de portas nos banheiros e a sujeira generalizada.
Além do uso indevido do espaço, os empresários locais sofrem com a intimidação. Sputnik mencionou que, após tentar colocar ordem no local, um dos indivíduos foi até sua loja – que funciona como agência do Mercado Livre – para intimidar sua esposa. “Eles procuram intimidar funcionários e empresários. As pessoas estão sendo acuadas aqui dentro”, afirmou.
A insegurança é alimentada por um histórico de furtos, roubos e até esfaqueamentos no entorno. Embora exista a promessa de uma reforma de R$ 350 mil, o clamor geral é por gestão. “Você pode aplicar um milhão aqui, mas com três meses vai estar tudo sucateado se não tiver uma administração de cuidado e segurança privada”, alertou o jornalista e empresário.
