Depois que chegou ao conhecimento da população pinheirense que a Polícia Militar de Minas Gerais pretendia retirar as árvores da praça da rodoviária, algumas delas centenárias, uma grande manifestação contrária ao projeto tomou conta das redes sociais. Foi difícil de se ver alguém defendendo essa parte específica da revitalização proposta pela PM e, por isso, o Capitão Vidal comunicou, através de nota divulgada ontem, o cancelamento da retirada das árvores.
A retirada das árvores fazia parte de um projeto de revitalização que incluía diversas outras ações, entre elas, a instalação de um posto policial no terminal rodoviário, tudo com o objetivo de diminuir os índices de criminalidade daquela região. O que não fazia sentido para a maioria da população era o que a retirada das árvores da praça poderia ajudar efetivamente para esse fim, principalmente porque nenhuma outra solução havia sido apresentada anteriormente a justificar, eventualmente, a necessidade de devastar as árvores.
Por isso, em razão do evidente prejuízo ambiental que a retirada das árvores significaria à cidade de João Pinheiro, os pinheirenses se revoltaram nas redes sociais. O Capitão Vidal, comandante da Polícia Militar de João Pinheiro, até tentou, através de uma nota pública, demonstrar que existia a necessidade, mas a pressão continuou e a instituição voltou atrás e a derrubada das árvores foi cancelada.
Consenso local, reprovação de toda a cidade
Em todas as notas públicas divulgadas pela PM, o Capitão Vidal insistiu que a inclusão da retirada das árvores no projeto de revitalização da praça foi discutida e consentida pelos moradores daquela região. Na nota divulgada ontem, mais uma vez, a questão foi apontada. Vidal demonstrou, ainda, certa indignação ao se referir a como as coisas vieram a público.
“Utilizando-se da estratégia de Polícia Comunitária, que é a mobilização social, estimulando a sensação de pertencimento, discutiu-se localmente os problemas. Com a aprovação local, iniciou-se o plano de ação.”
“Antes de ser divulgado o projeto com todas as ações contidas neste, divulgou-se o que não ocorreria ali. Tudo que se pretendia era erradicar os problemas vividos localmente, com as adequações técnicas e necessárias. Houve grande repercussão originando-se na divulgação equivocada, e que acredita ser de pessoas que não conhecem e/ou vivem os problemas locais.”
Ocorre que até mesmo os moradores das redondezas da praça “mudaram de ideia” após o início dos debates nas redes sociais. Com a reprovação da grande maioria dos pinheirenses sendo externada dia a dia nos grupos de Whatsapp e Facebook, a pressão em cima daqueles que, segundo a polícia, consentiram com a retirada das árvores, cresceu bastante, já que eles não poderiam carregar tamanho peso em suas costas.

Passou-se os dias e a vontade do povo foi ouvida. O Capitão Vidal, cidadão honorário pinheirense e que muito já vez por João Pinheiro à frente da Polícia Militar Ambiental, resolveu cancelar a parte do projeto que visava retirar as árvores. Com o ato, mostrou empatia, humildade e, principalmente, comprometimento com a população. Dada a sua competência, com toda a certeza ele, juntamente com a instituição que representa, resolverão de outra forma a criminalidade da região da rodoviária.
“Diante da comoção gerada, a partir da divulgação equivocada, unilateral e considerando que nenhuma intervenção fora realizada, foi solicitado junto ao CODEMA, o cancelamento do pedido de autorização para intervenção e de todos os atos subsequentes.”
A revitalização, contudo, não foi cancelada. O projeto de implantação do Posto Policial no terminal rodoviário, por exemplo, já está em fase inicial. Foi o que garantiu o Capitão Vidal ao final da nota.
“Reafirmo o compromisso de continuar com os propósitos de resolução de problemas locais. Já estamos em fase de implantação do Posto Policial no Terminal e realizando as melhorias possíveis para erradicar os problemas de segurança pública, excetuando intervenções na Praça, conexa ao Terminal, permanecendo ali insalubridade, juntamente com diversos outros problemas”
