Uma mulher de 28 anos teve a sua residência incendiada pelo ex-namorado na madrugada de hoje em João Pinheiro – MG. Por sorte, não havia ninguém na residência no momento. A vítima procurou a reportagem do JP Agora para noticiar os fatos. O autor Luciano Fernandes da Silva, de 42 anos, foi preso pela Polícia Civil na tarde de hoje, 13 de abril, e assumiu que ateou o fogo, mas negou as agressões e ameaças.
Gessica Couto é mãe de duas crianças e se relacionou com Luciano Fernandes da Silva pelo curto período de dois meses e meio. Depois de passar por maus bocados e ter sua residência incendiada pelo ex-namorado, a jovem resolveu tornar público o martírio vivido nos últimos meses, encorajada pela matéria veiculada pelo JP Agora na data de ontem, onde outra vítima de violência doméstica contou que quase foi assassinada pelo ex-companheiro.
Na entrevista, Gessica contou para a equipe de reportagem do JP Agora que sofria violências de todos os tipos durante o relacionamento e que, inclusive, já havia procurado a polícia em outras oportunidades. Por isso, ela resolveu terminar o namoro há aproximadamente 15 dias. De lá para cá, Gessica relatou que Luciano a ameaçava o tempo todo inconformado com o término, chegando ao ponto de fazê-la perder o emprego em razão das incessantes ligações e idas ameaçadoras ao seu local de trabalho.
“Era muito abusivo. Chegou ao ponto de eu não poder ter contato de ninguém mais no meu telefone, não poder cumprimentar ninguém mais. Já me enforcou, quebrou meu aparelho, me dava tapas, me puxava pelos cabelos, já chegou a me arrastar da cama até na cozinha pelos cabelos. Ameaçava a mim, minhas tias, minhas irmãs, meus filhos. Eu sentia que era obrigada a ficar com ele pela segurança da minha família.”
Gessica contou que não aguentou a pressão e acabou dando outra chance a Luciano. Os dois estavam tentando se relacionar nos últimos dias, mas a mulher notou que o ex-namorado não mudaria e resolveu terminar novamente. Ontem, por volta das 11 horas, Gessica ligou para Luciano e disse que não queria mais manter o namoro, momento em que, tomado pela raiva, ele a ameaçou de morte, disse que atearia fogo nela e na residência onde ela mora. Temendo por sua vida, a mulher chamou a polícia, mas Luciano conseguiu fugir.
Na delegacia, Gessica fez outra representação contra Luciano e foi para a casa de uma tia. Segundo ela, Luciano foi até a residência onde ela mora e retirou alguns pertences e continuou ligando. Anoiteceu e as ligações não pararam, mas ela preferiu não atender e ficou na casa da tia até a manhã de hoje.
Fogo, prisão e confissão
A noite passou e Gessica resolveu voltar para casa. Quando chegou, a cena que viu foi desesperadora. Luciano havia cumprido a ameaça e ateado fogo na residência. O forro de PVC ajudou a espalhar as chamas, mas, por sorte, as chamas apagaram sozinhas durante a madrugada, evitando um prejuízo material maior.
O fato foi comunicado à Polícia Civil, que imediatamente tomou providências para prender imediatamente Luciano em razão dos indícios que o ligavam ao incêndio, além das demais ameaças dirigidas à ex-namorada. Na tarde de hoje, os policiais conseguiram efetuar a prisão. Já na delegacia, Luciano falou com a reportagem do JP Agora.
Ele assumiu que ateou fogo da casa de Gessica e que o fez porque estava revoltado com a decisão dela em terminar novamente o relacionamento. Luciano tentou se justificar contando uma história confusa sobre o relacionamento e negou que agrediu a mulher.
“Ela está lá intacta. Se existisse agressões, a polícia estaria atrás de mim bem antes, mas é visível que não tem agressão. Uns trinta dias para cá, a gente brigou. Ela chegou em um sábado em casa dizendo que eu tinha que ir embora porque o pai dela estaria indo. Eu fui até o guarda roupas pegar uma mochila e ela saiu gritando por socorro. Terça-feira, a gente reconciliou, voltei pra casa dela, fiquei lá 16 dias até ontem, quando aconteceu esses fatos. No domingo, ela foi para a casa da tia dela. Fiquei na casa dela, lavei os tênis dela, costurei um forro de cama e estava desentupindo o fogão para ela fazer bolo. Ela chegou, jantamos, dormimos, ela acordou para colocar a filha no berço e depois a gente foi conversar. Fiquei revoltado com a decisão dela de terminar porque não fiz nada que desse motivo.”
Luciano foi encaminhado até a Delegacia de Paracatu para a finalização da ocorrência. Atualização em instantes.
O JP Agora seguirá acompanhando o caso. Se você é vítima de qualquer tipo de violência doméstica, não hesite em buscar ajuda. Chame a polícia através do 190 ou ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher). Não se cale!
