Quem caminhou até o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, na Coenge, nesta última segunda-feira, 12 de outubro, encontrou pelo caminho mesas com água gelada, pão com carne, refrigerante, pipoca e balas. Ninguém cobrava nada. Por trás de cada copo oferecido aos romeiros e de cada doce entregue às crianças, havia uma promessa a Nossa Senhora Aparecida e uma história que começou com um pedido feito em um momento difícil.
A de Jaqueline da Silva começou em 2020. O irmão dela, José Luiz, pegou Covid e piorou tanto que os médicos chegaram a falar que o caso não tinha solução. A família tinha acabado de enterrar o padrasto, pai de José Luiz, poucos dias antes. "Eu sabia que a minha mãe, a gente não ia aguentar mais uma perda", lembra. Jaqueline se ajoelhou e prometeu que, se Nossa Senhora salvasse o irmão, ela estaria todos os anos na igrejinha, como muitos chamam o santuário da Coenge, distribuindo água e lanche para quem passasse, enquanto tivesse vida e saúde. Desde 2021, ela cumpre a promessa. E, neste ano, José Luiz estava ali, ao lado dela. "Graças a Deus, Nossa Senhora me ouviu, e ele está aqui com a gente. Ela me concedeu a maior graça que eu recebi na minha vida."
O caminhoneiro Adilson Oliveira de Carvalho completou neste ano o 13º 12 de outubro servindo os romeiros. Em 2013, ele estava desempregado quando fez o pedido à Padroeira. O emprego veio, e a promessa, segundo ele, não tem data para acabar. "Ela é enquanto caminhão tiver", diz. O compromisso era distribuir 500 pães com carne e 10 fardos de refrigerante, mas desta vez a conta não fechou: apareceu mais gente, e ele precisou buscar mais pão. O que mais o emociona é ser reconhecido. "As pessoas chegam e falam: 'Nossa, você aqui de novo esse ano?'. Isso é muito gratificante." Para quem passa a vida na estrada, Nossa Senhora tem um papel especial. "É a mãe que cuida de nós nas estradas e nos protege."
Jair Ferreira da Silva estreou neste ano. Ele e a família sonhavam em abrir uma empresa, conseguiram e hoje veem o negócio crescer. Montar a mesa no caminho dos romeiros foi a forma que encontraram de agradecer. "A gente queria que esse fosse o primeiro de muitos anos. Tudo que eu peço a ela, ela me concede. Ela leva meus pedidos a Deus", conta.
Já Gustavo Chaveiro está no segundo ano e montou uma mesa pensando principalmente nas crianças, com pipoca e balinhas, mas também com água para quem chega com sede. Desta vez, levou os dois filhos pela primeira vez. "Tudo que a gente faz, a gente recebe em dobro", resume.
As histórias são diferentes, mas terminam do mesmo jeito. Para cada um deles, Nossa Senhora é mãe. E, uma vez por ano, a gratidão a ela vira um copo de água, um pão quentinho e um sorriso de criança no caminho de quem passa.
