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Excesso de generosidade tem tornado a cidade de João Pinheiro o destino preferido dos andarilhos

Com 56 pessoas em situação de rua cadastradas e 149 passagens emitidas desde março, Prefeitura, polícias e empresários definem campanha de conscientização para coibir esmolas e doações diretas

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A crescente presença de andarilhos, pedintes e pessoas em situação de rua em João Pinheiro foi tema de uma importante reunião na tarde da última terça-feira, 19 de agosto. O encontro, realizado no plenário da Câmara Municipal, uniu empresários, representantes da Prefeitura, da Polícia Civil e da Polícia Militar para debater o problema que, segundo os comerciantes, tem se tornado uma questão de segurança pública.

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Durante a reunião, dados apresentados pela Secretaria de Ação Social revelaram a dimensão do desafio: atualmente, o município possui 56 pessoas em situação de rua cadastradas e, de março até agora, já emitiu 149 passagens para retorno daqueles que desejaram voluntariamente retornar às suas cidades de origem.

Jessinaider, Secretária de Ação Social, explicou que o problema é nacional, mas que as características de João Pinheiro acabam atraindo esse público. “É recorrente eles dizerem que a população é generosa em esmolas, em dar alimentos, é uma população que não é violenta. A caridade e a generosidade do pinheirense fazem com que a cidade seja acolhedora”, afirmou. A secretária relatou um caso emblemático: “Em uma abordagem, uma pessoa em situação de rua queixou-se que, quando tinha uma casinha improvisada na beira da 040, era muito confortável porque eles recebiam lá deliveries de sanduíche e pizza.”

Os empresários, por sua vez, expuseram a gravidade da situação para o comércio. Eduardo Mulea, do Kabanas, relatou que os clientes são constantemente incomodados. “Eles chegam, batem a mão na mesa, incomodam o cliente. Alguns andam com faca, com espeto. Os moradores de João Pinheiro às vezes estão alimentando o usuário de droga”, desabafou o empresário, pedindo que as doações sejam direcionadas aos órgãos competentes.

Como resultado do encontro, a principal medida definida foi a criação de uma grande campanha de conscientização. O objetivo é orientar a população a não dar esmolas ou alimentos diretamente nas ruas, para não facilitar a permanência dessas pessoas na cidade e evitar que as doações sejam trocadas por drogas.

O Capitão Daniel, da Polícia Militar, reforçou que a corporação vai intensificar as abordagens. “Concito a população que, diante da situação em que a pessoa está ali pedindo, incomodando, às vezes ameaçando, acione a Polícia Militar para que possamos ir até o local, identificar essa pessoa e, às vezes, até tirá-la de circulação”, declarou.

O prefeito Gláucon Cardoso concluiu que a decisão de criar a campanha foi conjunta e sensata. “Vamos estabelecer uma campanha para que seja uma decisão sensata. Ver o que ocorre em outras cidades, onde esses mendigos não têm espaço. Ou eles vão ficar para trabalhar e contribuir, ou a gente vê o que pode fazer com eles, mas dentro da legalidade”, finalizou o prefeito.

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