Um ano depois de matar uma mãe com tiros na cabeça no corredor da própria casa, Mateus dos Santos Macedo, de 26 anos, conhecido como “Babão”, ouviu a sentença que a a cidade de João Pinheiro esperava. O Tribunal do Júri condenou o réu a 12 anos e 7 meses de reclusão em regime fechado pelo assassinato de Caroline de Oliveira Mendes, de 29 anos. O julgamento aconteceu na terça-feira (28) e a execução da pena é imediata.
O crime aconteceu na noite de 24 de abril de 2025. Caroline foi encontrada morta no corredor de acesso à sua casa, na Rua Rita Costa, no distrito de Luizlândia do Oeste (JK). A necropsia confirmou quatro perfurações na cabeça da vítima, duas com projéteis ainda alojados no crânio. Testemunhas relataram ter ouvido três disparos por volta das 22:40h. Câmeras de segurança flagraram Mateus saindo do local calmamente logo após os tiros, com um celular na mão, e fugindo de bicicleta. Caroline era mãe de duas meninas pequenas.
Momentos antes do crime, vítima e réu foram vistos juntos em um bar próximo. Caroline saiu em direção à sua casa e Mateus a seguiu. Segundo a denúncia do Ministério Público, na pessoa do Promotor de Justiça Flávio Feres, o crime foi cometido mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, já que Caroline foi surpreendida pelo acusado armado em um corredor estreito, sem tempo para qualquer reação. Ela segurava uma faca na mão direita quando foi encontrada, o que indica que tentou se defender.
O caminho de Mateus até o banco dos réus foi marcado por reviravoltas. Dois dias após o crime, ele foi preso pela primeira vez às margens da BR-040, quando confessou ter atirado contra a cabeça de Caroline. Porém, após 34 dias preso, a Justiça determinou sua soltura. A decisão gerou revolta. Com um novo mandado expedido, Mateus ficou meses foragido até ser recapturado em setembro de 2025, no pátio de um posto de combustíveis na BR-040, em João Pinheiro. Desde então, permaneceu preso aguardando o julgamento.
No julgamento desta terça-feira (28), o Conselho de Sentença reconheceu a materialidade e a autoria do crime, negou a tese de legítima defesa apresentada pela defesa, rejeitou a causa de diminuição de pena e reconheceu a qualificadora do recurso que dificultou a defesa da vítima. O juiz Hugo Silva Oliveira destacou na sentença que as consequências do crime foram especialmente graves, uma vez que Caroline era mãe de meninas ainda crianças, que foram privadas de forma definitiva e precoce do convívio e da assistência materna.
A pena foi fixada em 12 anos e 7 meses de reclusão, em regime inicial fechado. Segundo apurado pelo JP Agora, o juiz negou ao réu o direito de recorrer em liberdade e determinou a execução imediata da pena, seguindo entendimento do Supremo Tribunal Federal que autoriza o cumprimento da condenação imposta pelo Tribunal do Júri independentemente de recursos. Mateus permanece preso na unidade em que já se encontrava.
