continua depois da publicidade

Após anos de espera, 111 famílias recebem escritura de suas casas no bairro COHAB em João Pinheiro

Agência itinerante da COHAB Minas operou entre 06 e 08 de agosto no bairro COHAB; outras 14 famílias com débitos em aberto também aproveitaram para renegociar dívidas

publicado em:
Compartilhe nas redes sociais

Imagine pagar religiosamente as prestações de um imóvel durante 20 anos, quitar tudo direitinho, e mesmo assim passar mais de uma década sem ter a escritura no seu nome. Essa era a realidade de dezenas de famílias do bairro COHAB, em João Pinheiro, que viviam numa espécie de limbo burocrático, donos de fato, mas sem o documento que comprova a propriedade. O alívio finalmente começou a chegar entre os dias 06 e 08 de agosto, quando uma agência itinerante da COHAB Minas foi instalada na Praça Maria de Lourdes Rios Oliveira, a conhecida Praça Dona Lurdinha, para um mutirão que promete encerrar essa dívida histórica com os moradores.

continua depois da publicidade

Ao longo dos três dias de atendimento, 127 famílias foram atendidas pela equipe da companhia habitacional. Do total, 111 moradores que já haviam quitado seus imóveis terão finalmente as escrituras emitidas em seus nomes, um direito que, para alguns, estava pendente há 13 anos. Outras 14 famílias que ainda tinham débitos em aberto aproveitaram a oportunidade para renegociar suas dívidas e colocar a situação em dia. O pastor Vicente, morador do bairro e um dos beneficiados, não escondeu a emoção. “É uma iniciativa aplausiva, até porque as casas já estão praticamente todas quitadas e é o momento da gente ficar mais tranquilo, com o seu imóvel já tudo regularizadinho e continuar seguindo em frente”, disse. Questionado sobre a espera, foi direto: “Já há 13 anos esperando. É muito tempo.”

O chefe de gabinete da COHAB Minas, Bernardo, reconheceu que a situação era injusta e explicou que a ação partiu de uma determinação do governador Mateus Simões. “Não é justo que a pessoa que cumpriu todas as suas obrigações ao longo desses anos, terminou de efetuar o pagamento, e ela não tenha ainda o documento em seu próprio nome”, afirmou. Segundo ele, o governador esteve pessoalmente na sede da COHAB para cobrar agilidade: “Fez esse apelo e falou: gente, vamos levar dignidade para essas famílias, vamos regularizar a situação delas, entregar essas escrituras que elas tanto merecem.” Bernardo também destacou o empenho do prefeito Glaucon, que esteve presente no mutirão e é, segundo o chefe de gabinete, “um dos prefeitos que mais visita a COHAB” nos últimos tempos.

João Pinheiro possui mais de 350 moradias construídas pela COHAB Minas ao longo das décadas, e mesmo com o sucesso do mutirão, cerca de 239 imóveis ainda permanecem sem escritura regularizada. Os moradores atendidos durante a ação deverão comparecer posteriormente ao cartório de registro de imóveis para formalizar a transferência da propriedade. Já quem não conseguiu ir até a Praça Dona Lurdinha durante os três dias de atendimento não precisa se desesperar: a COHAB Minas informou que haverá outras oportunidades de regularização, e os interessados podem procurar a companhia pelo site oficial (cohabmg.gov.br), por telefone ou presencialmente na sede em Belo Horizonte.

O atraso crônico na entrega de escrituras é um problema que atinge diversos municípios mineiros e envolve entraves burocráticos e administrativos acumulados ao longo de décadas na companhia habitacional. Para as 111 famílias de João Pinheiro que finalmente verão seus nomes no documento do imóvel, o mutirão representa mais do que uma formalidade cartorária, é o encerramento de uma angústia que se arrastou por anos e a certeza de que a casa onde vivem, de fato e de direito, é sua.

Leia também

Deixe um comentário


Termo

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do JP Agora. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O JP Agora poderá remover, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos ou que estejam fora do tema da matéria comentada. É livre a manifestação do pensamento, mas deve ter responsabilidade!


0 Comentários
Mais votado
mais recentes mais antigos