A comunidade católica de João Pinheiro tem um novo motivo para se encantar. Foi finalizada a arte sacra da Igreja Nossa Senhora Aparecida, no COENG, e o grande destaque da obra é um imponente painel que representa o Cristo Pantocrator. A pintura, feita pelo artista Leandro Gouvêa, levou cerca de 30 dias para ser concluída e impressiona não apenas pela beleza, mas pela profundidade de significados escondidos em cada detalhe. A apresentação aconteceu na noite de ontem, terça-feira (23), quando o artista apresentou à comunidade cada detalhe de todos os painéis que agora compõem a igreja da COENG.
Segundo o artista, a obra segue o estilo conhecido como iconografia, palavra que significa "escrever imagem". "Essas imagens não nascem da inspiração do artista, elas não são meramente a decoração da igreja. Elas estão aqui para representar algo. Representar o divino, o sagrado, o mistério", explica Leandro. Para ele, quando o fiel está diante da imagem, está diante de algo revelado, assim como acontece com a palavra de Deus durante a proclamação do Evangelho.
A figura central, o Pantocrator, é uma representação majestosa de Cristo. "A palavra Pantocrator quer dizer Deus Todo-Poderoso, aquele que tudo rege. É o Senhor do Universo, o princípio e o fim de todas as coisas", descreve o artista. Cristo aparece sentado em um trono glorioso, com vestes brancas que, segundo Leandro, representam a luz pura, a luz da ressurreição. Já a estola verde simboliza que Cristo é o sumo sacerdote eterno, e a cor traz a mensagem de esperança, vida e ressurreição.
Cada gesto, cor e símbolo tem um significado
Na iconografia, nada é por acaso, e isso fica evidente até nos gestos das mãos de Cristo. A mão direita, que abençoa, traz uma simbologia teológica completa. "O médio, o mínimo e o polegar representam a Santíssima Trindade. O anelar e o indicador representam as duas naturezas de Cristo, humano e divino. Então, só numa mão nós temos toda uma teologia cristológica", detalha o artista. Já a mão esquerda, totalmente aberta, representa o Cristo que se entrega e se esvazia completamente por amor à humanidade.
A figura de Cristo está envolta por uma mandorla, um grande círculo que lembra um sol vermelho com raios dourados. "A mandorla representa uma janela, a janela para o mundo divino", explica Leandro, lembrando que Cristo é o "sol nascente que veio nos visitar". Um dos detalhes mais marcantes da obra é o olhar de Cristo. "Quem vier à capela vai viver essa experiência de estar sob esse olhar, porque quando você entra, ele já está te olhando. Pode ter 500 pessoas aqui dentro, mas ele vai olhar para cada uma em particular. Isso quer dizer que Deus olha a todos, mas tem amor particular por cada um", afirma o artista.
Para Leandro, o trabalho foi muito mais do que uma obra de arte. "Esse trabalho me marcou de maneira muito especial. Eu pude fazer um verdadeiro retiro aqui, um silêncio, estar aqui sozinho. Isso favoreceu muito esse contato com o sagrado", conta. O resultado é uma obra que convida o fiel a contemplar a beleza e a sacralidade da fé.
