Um pequeno barraco no meio do pasto, usado para guardar enxadas e ferramentas, guardava também o início de uma das histórias de fé mais bonitas de João Pinheiro. O que era para ser apenas uma casa de despejo de uma fazenda, décadas atrás, transformou-se no coração de uma comunidade inteira. Hoje, a Capela de Nossa Senhora Aparecida, na Serra da COENG, celebra essa trajetória de poeira, suor e devoção com uma obra de arte que eterniza suas origens nas próprias paredes do templo.
A pintura, encomendada pelo padre Edson e assinada pelo artista plástico Leandro Gouvêa, foi dividida em três partes contínuas que narram, de forma visual e tocante, a evolução do local. Na primeira tela, o destaque vai para a figura do operário abrindo a estrada em meio à terra bruta. No segundo momento, a pintura retrata o esforço desses mesmos trabalhadores erguendo um oratório simples, feito com as próprias mãos. Por fim, o painel central mostra a rodovia moderna e em expansão, culminando na representação da comunidade atual, homens, mulheres, crianças e o sacerdote partilhando o pão ao redor do nicho da padroeira, simbolizando a união e a partilha.
As telas eternizam uma história que começou de forma improvisada há décadas, quando as máquinas pesadas rasgavam o cerrado para a construção da rodovia federal. Na época, um engenheiro levou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida para o canteiro de obras e os trabalhadores montaram um pequeno altar no canteiro da empresa. Com o fim das obras e a partida da construtora, os operários se recusaram a abandonar a imagem. Com a autorização de um fazendeiro à época, eles limparam um barraco de pasto, usado para guardar enxadas e ferramentas, à época chamado de quarto de despejo, e deram início ao que hoje é um dos templos mais queridos da comunidade pinheirense.
O novo painel não apenas embeleza o espaço litúrgico, mas resgata a identidade de um povo que transformou um abrigo temporário de ferramentas no coração de sua devoção. Para a comunidade da COENG, cada traço na parede é um espelho de seu próprio passado e uma celebração da fé que atravessou gerações, agora eternizada pela arte de Leandro Gouvêa.
