Meses de trabalho, simbolismos escondidos em cada detalhe e uma igreja que tem despertado o olhar dos fiéis. A explicação da arte sacra presente na Capela do Santíssimo, na Igreja Nossa Senhora Aparecida, na Serra da COENGE, em João Pinheiro, revela o significado da última pintura do conjunto artístico do templo. A apresentação oficial da obra aconteceu na noite de 23 de junho, no mês passado, marcando a conclusão das pinturas assinadas por Leandro Gouvêa.
As imagens vêm chamando a atenção da comunidade católica pela riqueza de sentidos e pela ligação com a tradição da Igreja. Desta vez, o destaque ficou para a cena da anunciação, que mostra o momento em que o anjo Gabriel anuncia a Maria a encarnação do Verbo. “O tema é a encarnação do Verbo”, explicou o artista no material de apresentação da obra.
Na composição, Maria aparece vestida de azul, cor que, segundo Leandro Gouvêa, remete ao céu e à divindade. Ele também destacou uma referência à tradição oriental da Igreja ao apresentar a Virgem como “platitera”, expressão usada para definir “aquela que é mais ampla que o céu”. “Por isso, o manto dela foi representado de forma ampla, como se ela estivesse vestida do céu”, explicou.
Outro detalhe destacado pelo artista são as estrelas sobre a imagem de Maria, entendidas como um derramamento da graça sobre a Virgem. Entre elas, três aparecem com maior evidência. “Todo ícone da Virgem Maria tem essas três estrelas”, afirmou. Segundo ele, o símbolo representa que Maria é “virgem antes, durante e depois do parto”.
A pintura também traz Maria segurando um fuso com um novelo de linha escarlate, elemento que carrega forte significado na iconografia cristã. “A cor escarlate, ou púrpura, era a mais cara e nobre do mundo antigo”, explicou Leandro. Ainda conforme o artista, o detalhe representa a Virgem que “vai tecer a carne de Cristo em seu ventre”.
Já o anjo Gabriel foi retratado de frente para Maria, com a mão em gesto de fala, no momento da saudação “Ave, cheia de graça”. Na outra mão, ele segura três lírios, símbolo da Santíssima Trindade. A composição ainda apresenta um movimento vertical que, segundo o artista, remete ao Pai, ao Espírito Santo e ao próprio Cristo, representado no centro do espaço litúrgico pelo Sacrário. “O Pai está no céu em semicírculo, saindo do mistério, se revelando”, detalhou.
Com a conclusão dessa etapa, a Igreja Nossa Senhora Aparecida passa a ter completo o ciclo de pinturas pensado para o templo. Como o JP Agora já mostrou anteriormente, a história da capela também carrega forte valor para a comunidade. O local teve origem de forma simples, quando um barraco usado para guardar ferramentas, durante as obras da BR-040, acabou se transformando em ponto de oração e, com o tempo, no coração da devoção de moradores e trabalhadores da região.
Atualmente, a obra está aberta à visitação. Todo dia 12 há missa na Capela da COENGE e, neste mês, a celebração será realizada no domingo, 12 de julho.
