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Patrimônio de João Pinheiro: Bar do Zé do Odílio e seu famoso tutu de feijão com caldo de frango

Escritor Hércules Júnior compartilha memórias do cantor Gusttavo Lima e a tradição culinária do bar pinheirense

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É impossível lembrar do Bar do Zé do Odílio sem vir à mente o famoso tutu com caldo de frango. O Bar do Zé do Odílio é um patrimônio de João Pinheiro e no cardápio tem iguarias marcantes, como farofa de frango, linguiça caipira e um tutu de feijão com molho frango. O sabor é tão marcante que em 2022, Gusttavo Lima relembrou essas iguarias com os cantores César Menotti e Fabiano, destacando com gosto os detalhes do tutu com caldo de frango que marcaram sua juventude.

Neste domingo, 26 de maio, temos o prazer de compartilhar com nossos leitores uma obra literária que retrata um dos bares mais queridos da cidade fácil de ser amada. Pelas mãos de Hércules Júnior, escritor e historiador pinheirense: Lá no Zé do Odílio.

Autor da obra Sob o Céu de Sant’Anna, Hércules Junior escreveu sobre o Bar do Zé do Odílio, o bar mais antigo da história de João Pinheiro. O pinheirense relembrou a visita do cantor Gusttavo Lima e relatou a infância humilde de Zé do Odílio e sua esposa na zona rural do município até a chegada da família à cidade nos idos de 1974. 

Falecido em 2018, Zé do Odílio deixou o bar para a família, que segue empenhada em manter a tradição de servir o tutu de feijão mais gostoso do Brasil. Confira, a seguir, a íntegra do texto “Lá no Zé do Odílio”, de Hércules Gomes Junior.

“Uai, Sô Zé, não tá me reconhecendo não?” sorriu Gusttavo Lima, que em sua mocidade ia sempre com seus primos ao bar na esquina da Rua Capitão Speridião com Capitão Sancho para comer o famoso “tutu de feijão com caldo de frango” preparado por Dona Conceição. Desta vez, acompanhado de seguranças e com um perfil bem diferente do rapaz franzino de antigamente, de início causou estranheza ao Zé do Odílio, mas as lembranças voltaram logo no abraço e na prosa com o ilustre cliente do bar mais antigo de João Pinheiro.

José Ferreira da Mota, mais conhecido como Zé do Odílio, nasceu em 1937 na fazenda Vargem Bonita. Em 1962, casou-se com Conceição Maria das Dores, da fazenda Coqueiro. O casal inicialmente mantinha um armazém na zona rural para servir aos carvoeiros. Em 1974, mudaram-se para João Pinheiro, visando a educação de seus cinco filhos. No ano seguinte, adquiriram o “Bar do Chato”, que rapidamente se transformou no “Bar do Zé do Odílio”.

O bar tornou-se uma referência cultural na cidade, mantendo sua arquitetura original e o mesmo padrão de atendimento por 49 anos. Frequentado por um público fiel, o estabelecimento é conhecido por sua culinária típica, incluindo linguiça, tropeiro, farofa de frango e uma seleção de cachaças tradicionais, como Tatuzinho e 3 Fazendas, além da famosa cachaça pinheirense “Maria Viúva”.

A estrutura do bar preserva elementos históricos, como um baleiro de mais de 40 anos e um salão de sinuca sempre concorrido. O ambiente é um verdadeiro passeio no tempo, com móveis e decoração que remetem às décadas passadas. Zé do Odílio, um devoto de Nossa Senhora da Abadia e apreciador de música caipira e Folia de Reis, gerenciou o bar até seu falecimento em 2018. Atualmente, seu filho Luiz Carlos e a esposa Valquida continuam a tradição.

Durante a visita, Gusttavo Lima reencontrou o atual gerente e compartilhou lembranças de sua juventude. O reencontro trouxe à tona memórias e histórias que reafirmam a importância do Bar do Zé do Odílio na vida cultural de João Pinheiro. Dona Conceição, viúva de Zé do Odílio, ainda visita o bar ocasionalmente. Com um olhar introspectivo, ela compartilha histórias e relembra os bons momentos vividos ao lado do marido, filhos e clientes. “Quero ir lá, enquanto viver”, diz ela, resumindo o carinho e a dedicação que marcaram a trajetória do bar.

O Bar do Zé do Odílio continua sendo um ponto de encontro essencial para a comunidade, preservando a história e a cultura de João Pinheiro para as futuras gerações. A apuração da história foi feita por Hércules Gomes Júnior e compartilhada na página “Sob o Céu de Santa’Anna”.

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Syssi
1 mês atrás

Ué não entendi não, se o Zé do Odílio morreu em 2018 como que o Gustavo Lima esteve com ele em 2022? E tem até foto?

Danilo Irving
1 mês atrás
Resposta para  Syssi

2022 ele lembrou não foi lá lê direito