O campo brasileiro enfrenta um momento delicado. Os setores de agronegócio e serviços lideraram os pedidos de recuperação extrajudicial no Brasil em fevereiro, com três novos casos registrados no país. Segundo levantamento do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (Obre), os processos envolvem nove empresas requerentes e 155 credores, somando R$ 41,07 milhões em dívidas renegociadas.
De acordo com Juliana Biolchi, diretora do Observatório, o volume de processos no agronegócio é semelhante ao registrado no mesmo período do ano anterior. “A fase de encerramento de ciclos produtivos no campo costuma favorecer renegociações de dívidas, o que ajuda a manter o volume de registros semelhante ao do ano passado”, explicou a especialista em entrevista à CNN Brasil.
Os casos de recuperação extrajudicial ligados ao agronegócio estão distribuídos entre Minas Gerais, Pernambuco, Paraná e São Paulo. Juntos, esses processos somam R$ 69,79 milhões em dívidas e envolvem 276 credores e dez empresas requerentes. Na análise por porte, predominam companhias de grande porte, responsáveis por cinco casos. Também foram identificadas quatro microempresas e uma empresa de pequeno porte.
O levantamento do Obre aponta ainda que, desde 2005, foram registrados 283 processos de recuperação extrajudicial no país, com mais de R$ 145,3 bilhões em dívidas renegociadas. Em 2025, o Brasil registrou o maior número de pedidos desde a reforma da Lei de Falências, com 245 empresas recorrendo ao mecanismo. No agronegócio, foram 55 pedidos no ano passado, um aumento de 111,5% em relação a 2024. Mais de 70% das solicitações no setor foram feitas por produtores rurais pessoas físicas.
