A tadalafila, princípio ativo indicado para o tratamento de disfunção erétil, foi o 5º medicamento mais vendido no Brasil em 2024, com mais de 61,2 milhões de unidades comercializadas, segundo levantamento da IQVIA. O estado de Minas Gerais ficou atrás apenas de São Paulo no ranking de consumo, com mais de 7,6 milhões de unidades, o que representa 12,44% do total nacional e um crescimento de 47,3% em relação ao ano anterior.
O crescimento acelerado das vendas tem preocupado especialistas, principalmente pelo uso indiscriminado do medicamento, muitas vezes sem prescrição médica. Popularizado até em músicas – como o hit “Tadalafila”, da banda Barões da Pisadinha – o remédio tem sido consumido inclusive por jovens de 20 a 35 anos em busca de aumento de desempenho sexual ou como pré-treino em academias.
Maxmillan Alkimin, urologista do Hospital Universitário Ciências Médicas de Minas Gerais que foi entrevistado pelo Jornal O Tempo, alerta para os riscos da automedicação. “Temos observado uma maior procura entre homens jovens, sem nenhuma patologia. Isso é extremamente preocupante, pois o uso pode trazer efeitos colaterais como dor de cabeça, alterações cardíacas e até dependência psicológica”, afirma.
Apesar de exigir prescrição médica, a tadalafila pode ser adquirida facilmente nas farmácias. A receita não precisa ser retida, o que facilita a compra. “Mesmo que a exigência da receita exista, a venda acaba sendo facilitada. Por isso, a melhor forma de evitar o uso indevido é por meio da conscientização”, destaca Márcia Alfenas, presidente do Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais (CRF-MG).
Em entrevista ao OO jornalista Marcelo*, de 30 anos, é um dos que consome o medicamento sem orientação médica. “Tive curiosidade, queria testar minha performance. Usei e percebi que funcionava. Desde então, tomo em ocasiões especiais, com doses pequenas para evitar reações”, relata.
A Anvisa reforça que medicamentos só podem ser vendidos em farmácias e drogarias autorizadas e alerta que a venda para fins não indicados pode resultar em sanções que vão de multas de até R$ 1,5 milhão à cassação do alvará de funcionamento.
A discussão sobre o uso seguro da tadalafila evidencia a necessidade de campanhas educativas e reforço da fiscalização. “Remédio é coisa séria. Deve ser usado com responsabilidade, e o acesso precisa ser equilibrado entre necessidade médica e segurança do paciente”, conclui Márcia Alfenas.
*Nome fictício usado para preservar a identidade do entrevistado.
