O filho adotivo de Miriam Matos Lima, Hudson Hugo Daniel Matos Rodrigues, procurou a equipe do JP Agora para defender a inocência de sua mãe, quase 70 dias após sua prisão. Miriam Matos Lima é acusada de matar cachorros para consumo no distrito de Santa Luzia, em João Pinheiro. Hudson refutou as acusações e apresentou sua versão dos fatos.
Daniel, como o homem de 31 anos se identificou, entrou em contato para saber sobre a saúde de sua mãe após o incidente no presídio de João Pinheiro. Ele relatou ao JP Agora que nunca presenciou nenhum tipo de violência ou maus-tratos a animais durante os 29 anos em que residiu com a mãe. Ele apontou que a família morava em João Pinheiro no passado e passou 19 anos fora, até decidir voltar e residir na casa de Santa Luzia.
O filho relatou que Miriam não possui nenhum problema psicológico, apenas problemas de saúde relacionados ao cigarro. Ele destacou que a mãe sempre foi uma pessoa correta e digna de respeito. Sobre os animais, destacou que ela sempre se preocupou com o bem-estar deles.
“Ela tem alguns problemas de saúde; sofre de falta de ar devido a um acidente ocorrido há 20 anos. Fora isso, nunca apresentou sinais de demência ou algo assim; sempre foi sã, lúcida, cuidou bem de nós e nunca fez mal a nenhum animal. Sempre resgatou, tratou e depois fez a doação dos animais”, disse Daniel.
Sobre as acusações que pesam contra sua mãe, Daniel disse que todas são infundadas e fruto da vontade de “fazer fama às custas dos outros” por parte de alguns moradores do distrito de Santa Luzia.
“As pessoas querem aparecer na mídia, fazer fama às custas dos outros, começam a espalhar uma história, e isso vira uma bola de neve. Tenho certeza absoluta de que a verdade será revelada, isso não se comprova, tudo o que falaram dela não é verdade, e ela será inocentada. A cabeça mencionada não é de cachorro, é de porco. Um dono de açougue deu para ela. Os cachorros saíam, pulavam o muro e atacavam porque aquele era o território deles; eles não queriam invasões, não era para agredir ninguém”, pontuou Daniel.
Questionado sobre o estado da residência da mãe, Daniel explicou que, quando morava no local, deixava tudo muito limpo e, depois de se mudar, o estado de saúde da mãe e a internação do pai impossibilitaram que Miriam mantivesse o local com o mesmo zelo.
“Quando eu morava lá, a casa não ficava naquele estado; limpávamos tudo. Depois que me mudei, ela adoeceu, meu pai começou a ter problemas com bebida, e ela não teve saúde nem condições de cuidar. Eu ajudava a cuidar; depois que saí, meu pai não conseguiu mais limpar, minha mãe ficou muito doente, e depois que ele foi internado, ela não teve mais condições de cuidar da casa. O problema da casa estar suja provavelmente foi causado pelos cachorros que, por falta de alimentação, abriram a geladeira e bagunçaram. Isso deve ter sido causado pelos cachorros, não por ela”, disse.
Daniel também contestou a perícia da Polícia Civil, que concluiu que a cabeça transportada por Miriam na rodoviária é compatível com a de cachorro. “Houve um engano, com certeza. Se você comparar a cabeça de um porco com a de um cachorro, são completamente diferentes. Na análise completa, a perícia foi enganosa porque aquilo é uma cabeça de porco. Você pode ver pela arcada dentária, o crânio, o formato. É completamente diferente. É uma cabeça de porco que ela levou para alimentar os cachorros.”
A reportagem do JP Agora se colocou à disposição de Daniel para futuros esclarecimentos e seguirá acompanhando o caso de perto.
