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João Pinheiro
sexta-feira, abril 23, 2021

Incêndio destrói parte da Igreja histórica São Sebastião de Pouso Alegre em Paracatu

A edificação foi tomada pelas chamas que destruiu grande parte da estrutura

Nesta segunda-feira, 05 de abril, o Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 15 horas para combater um incêndio na Igreja histórica de São Sebastião de Pouso Alegre, localizada a 35 KM de Paracatu, na zona rural do município.

A igreja é uma edificação tombada pelo Município de Paracatu de acordo com a Lei Ordinária n.º 406, de 27 de fevereiro de 1958, e considerada patrimônio histórico devido a importância cultural para a cidade.

Ao chegar no local os bombeiros se depararam com a edificação tomada pelas chamas e boa parte de sua estrutura interior destruída e parte do telhado já havia desmoronado.

Segundo informações do corpo de bombeiros, o fogo se alastrava pelo telhado, estruturas de madeira e paredes de alvenaria. Devido risco de colapso e desmoronamento do restante da estrutura, a guarnição de bombeiros iniciou o combate pelo lado de fora da edificação até que as chamas fossem controladas.

Durante o combate, uma das paredes colapsou e caiu no no interior da igreja. Após o controle das chamas, os militares conseguiram entrar com segurança e realizar o combate dos focos restantes nas madeiras das portas e telhado.

Findados os trabalhos de combate direto às chamas, o Corpo de Bombeiros preservou o cenário até a chegada da Polícia Civil para realização da perícia e apuração causa do incêndio. Após liberação da perícia, os bombeiros militares fizeram o rescaldo, que trata-se do resfriamento final de toda estrutura para evitar o retorno das chamas.

A história do descaso por trás de muitas “estórias”

Localizada no antigo vilarejo São Sebastião do Pouso Alegre, a 35 km de Paracatu e considerada Patrimônio Histórico Municipal desde março de 1958 pela Lei n° 406. A igreja centenária foi saqueada e hoje está em ruínas. Envolta em muitas lendas, alguns afirmam ter existido em seu interior obras de autoria do mestre Athaíde e uma imagem de São Sebastião com 1,5 metros de altura.

No final do século XIX, o fazendeiro Imeliano Silva Neiva, um dos homens mais ricos do Noroeste Mineiro manda erguer uma igreja dentro de suas terras sob a invocação de São Sebastião, do qual era devoto. No local, além de construída a Igreja também foi separado um significativo espaço para a instalação de um Cemitério. A igreja de São Sebastião, com o passar do tempo, se tornou mais que espaço religioso de meditação, preces e ritos, mas um lugar de encontro e comemorações da comunidade do antigo Pouso Alegre.

Em 2004, um laudo elaborado pela Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Histórico, Cultural e Turístico aponta que existia a constatação de urgente restauração da Igreja São Sebastião do Pouso Alegre, especialmente em decorrência de sua condição precária.

Em 2007, o Iepha apresentou parecer técnico acerca do estado de conservação da igreja e estimou os custos para sua restauração em R$ 470 mil.

Em 2007, foi assinado Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), tendo como compromissários o município de Paracatu e a Mitra Diocesana de Paracatu. Ambos assumiram a responsabilidade de impedir o avanço da deterioração da igreja, além do compromisso de elaborarem um projeto de restauração.

Em 2010, foi determinada a notificação dos compromissários para a comprovação do cumprimento do TAC. O município de Paracatu informou que promoveu algumas ações para a proteção da igreja e cadastrou o projeto de restauração no Ministério da Cultura.

Em 2010, o município apresentou um projeto com um valor total de quase um milhão de reais.

Em 2012, o município apresentou documentação a fim de justificar o cumprimento do TAC, informando que encaminhou o projeto de restauração para o Conselho Estadual de Direitos Difusos para fins de financiamento.

Em 2017, a associação conseguiu aprovar um projeto de restauração junto ao MINC de recursos pela Lei Roanet. Contudo, esses recursos não chegaram.

Em 2018, o município de Paracatu executou a primeira etapa desse projeto, o que impediu que o bem se deteriorasse completamente. “Ressalta-se que o município não destinou recursos para a restauração desse bem nas leis orçamentárias de 2013, 2014, 2015, 2016, 2017 e 2019”, contrapõe a promotora de Justiça, na ACP.

Em 2019, um novo projeto foi orçado em R$1.166.373,44.

 

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Abençoada por Deus.
16 dias atrás

Muito projeto! aqui no Brasil é assim mesmo, quando uma obra é começada a gente já tá ouvindo falar dela a séculos .

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