Foram semanas de polêmica, sessões lotadas, redes sociais fervendo e muita cobrança nos grupos de WhatsApp. No fim, a voz do povo falou mais alto. A Câmara Municipal de João Pinheiro manteve o veto do prefeito e enterrou de vez a compra do lote milionário de quase R$ 2 milhões que seria destinado à construção de uma nova sede do Legislativo. O placar desta segunda-feira (27) foi indiscutível: 10 votos a 2. Uma virada que surpreendeu até quem acompanhava a novela política de perto.
Para entender o tamanho da mudança, basta olhar para trás. Nas votações anteriores, o placar era sempre o mesmo: 6 a favor da compra e 6 contra, e quem desempatava era o presidente da Casa, Gordinho do Açougue, votando a favor da aquisição do terreno. Desta vez, quatro vereadores que antes defendiam a compra mudaram de lado: Uiliam Motorista, Osmar Xavier, Afonso Oliveira e Landinho Gari trocaram o voto e se juntaram aos contrários ao projeto. Com o placar de 10 a 2, o empate nem existiu e o presidente não precisou votar. Os únicos que mantiveram a posição a favor da compra foram Guilherme Coxa e Alexandre da Farmácia.
Em entrevista ao JP Agora, o próprio Gordinho do Açougue, o homem que desempatou todas as votações anteriores a favor da compra, admitiu que também mudou de entendimento. “Quem colocou a gente aqui foi o povo, então nada melhor que votar a favor do povo”, declarou o presidente. Ele foi além: anunciou a devolução de R$ 1 milhão do orçamento da Câmara para a saúde do município e pediu ao prefeito que a verba seja destinada a cirurgias eletivas. “Pelas críticas que tivemos, que poderia ser gasto esse dinheiro em saúde, eu me dispus juntamente com os colegas a estar devolvendo esse um milhão”, completou.
Os vereadores que sempre foram contra a compra não esconderam a satisfação. O Sargento Darley, líder de governo, revelou que o prefeito chegou a oferecer terrenos gratuitos como alternativa, mas a proposta não foi aceita pela gestão anterior da Câmara. “Nosso prefeito, de forma muito assertiva, vetou. E graças à articulação e à pressão popular nós conseguimos manter o veto”, declarou. Herculano Bolsonaro, que votou contra em todas as cinco reuniões sobre o tema, foi direto: “Gastar quase dois milhões de reais com a Câmara não é necessidade do município. O município tem mais necessidades: saúde, infraestrutura, estradas”.
Flávio Babu, que votou contra a compra nas seis vezes em que o assunto foi discutido, resumiu o sentimento da maioria: “Se um dia a Câmara for construída, que seja em lote doado pela prefeitura. Não tirando do bolso do povo”. Já Luizinho da Ambulância aproveitou para ampliar a cobrança e mandou um recado para os pinheirenses: “Vocês viram que vocês têm voz. Agora precisam acordar e cobrar. Cobrem da festa, cobrem do hospital, dos postos de saúde, da falta de remédio, da falta de estrada”.
A manutenção do veto encerra definitivamente o projeto e a compra do lote pelo menos esse ano. A devolução do R$ 1 milhão à saúde ainda depende da formalização junto ao Executivo.
