Chegou a hora. Após sessões marcadas por bate-boca entre vereadores e um plenário lotado de pinheirenses querendo respostas, a Câmara Municipal de João Pinheiro coloca em votação nesta segunda-feira (27), às 18h, o que pode ser a decisão final sobre a polêmica compra de quatro lotes por quase R$ 1,9 milhão para a construção da nova sede do Legislativo. A pergunta que fica é: os vereadores vão derrubar o veto do prefeito Gláucon Cardoso e seguir com a compra usando dinheiro público, ou vão recuar?
O Projeto de Decreto Legislativo 010/2026 propõe rejeitar o veto total do prefeito ao Projeto de Lei 032/2026, de autoria do vereador Gordinho do Açougue, que autoriza a aquisição dos terrenos que somam 2.064,24 m², avaliados a R$ 900 o metro quadrado. O pagamento seria feito em seis parcelas com recursos do duodécimo da Câmara. Para derrubar o veto, é necessária maioria absoluta dos vereadores.
O caso já rendeu alguns dos momentos mais tensos da política de João Pinheiro nos últimos anos. Na primeira votação, em março, o projeto foi aprovado por 7 a 6, com o presidente da Câmara, Gordinho do Açougue, dando o voto de desempate. Na primeira discussão do projeto, foi pedido o regime de urgência, mas recusado pela Câmara, na sessão vereadores trocaram farpas. De um lado, Guilherme Coxa questionou os gastos da Prefeitura com aluguéis e revelou que só não existe um andar inteiro do shopping alugado pelo município porque os vereadores impediram. Do outro, o líder de governo, Sargento Darley, rebateu e questionou por que a Câmara insiste em um único terreno, já que o prefeito ofereceu áreas do patrimônio público. Darley ainda se emocionou ao repreender colegas que chamaram de “periferia” a região próxima ao fórum. Flávio Babu também contestou a justificativa de que o prédio atual estaria em condições precárias.
O prefeito, ao vetar o projeto, apontou que o valor de R$ 900 o metro quadrado estaria acima do mercado. A Comissão de Avaliação de Bens do Município concluiu que terrenos semelhantes na região valem entre R$ 550 e R$ 700 o metro quadrado, o que configuraria sobrepreço. O veto também destacou que o terreno possui aclives e declives que encareceriam a obra, que não foi apresentado estudo de impacto orçamentário conforme exige a Lei de Responsabilidade Fiscal, e que um projeto praticamente idêntico já havia sido rejeitado pela própria Câmara no final de 2025.
Além do lote milionário, a pauta desta segunda traz outros temas que merecem atenção. O vereador Luiz Freitas apresenta dois requerimentos cobrando o Executivo sobre a ausência de monitores no transporte escolar, exigido por lei desde 2016, e sobre a licitação vigente para o serviço no município. O Projeto de Lei 072/2026, do vereador Guilherme Gonçalves, propõe a criação de um calendário fixo para manutenção das estradas rurais e entra em segunda discussão. A sessão ainda terá a entrega da honraria Guardião de Ouro.
Quase R$ 1,9 milhão do dinheiro público estão em jogo. Se você quer saber como os seus representantes vão votar, esse é o momento de ocupar o plenário e cobrar transparência.
