A sessão da Câmara Municipal de João Pinheiro desta segunda-feira, 13 de abril, entrou para a história como uma das mais acaloradas dos últimos tempos. Com o plenário lotado de pinheirenses que foram acompanhar a decisão sobre a compra do lote milionário para a nova sede do Legislativo, os vereadores protagonizaram um verdadeiro bate-boca, com discursos inflamados, ironias e desabafos que agitaram o plenário do início ao fim.
Um dos primeiros a abrir o fogo foi o vereador Flávio Babu, que se posicionou contra a compra do terreno. O parlamentar contestou a ideia de que o prédio atual da câmara estaria em condições precárias e questionou a obrigatoriedade de a nova sede ser construída em área central. “Foi feita uma reforma aqui, muito bem reforma, pra falar que é uma condição precária. Isso aqui não, de forma nenhuma”, declarou. Na sequência, provocou os colegas com uma pergunta direta. “Por que não pode ser feito que seja no Santa Cruz? Por que não pode ser feito em outro local? Pode ser feito, sim. Não tem que ser somente aqui no centro, não”, disparou.
As críticas de Flávio Babu não ficaram sem resposta. O presidente da câmara, Ualisson Batista, conhecido popularmente como Gordinho do Açougue, rebateu apontando uma suposta contradição na postura do Executivo. “Por qual motivo que o nosso Poder Executivo tá alugando mais imóveis? Se ela não pode tirar lá do centro administrativo, por qual motivo que tá alugando mais imóveis?”, questionou o presidente.
O vereador Guilherme Gonçalves, o Guilherme Coxa, foi ainda mais incisivo ao tocar na questão dos gastos com aluguéis pela prefeitura. Segundo o parlamentar, só não existem ainda mais imóveis alugados pelo município porque a própria câmara teria impedido em situações anteriores. “Hoje só não existe um andar inteiro do shopping alugado pela Prefeitura Municipal, porque os vereadores deram grito na ocasião. Um galpão simples alugado a 10 mil reais por mês é perfeito, é muito bom pra quem aluga, não pra população que paga”, disparou Coxa.
Do outro lado do embate, o líder de governo, Sargento Darley, saiu em defesa do prefeito Gláucon Cézar Cardoso e questionou a insistência da câmara em um único terreno. “O nosso prefeito Gláucon por várias vezes pediu que formássemos uma comissão e que procurássemos um lote adequado para que fosse construída a Câmara Municipal. E por que que tem que ser somente aquele lote? Os dois projetos que vieram aqui foram direcionados àquele lote. Por que não outro lote?”, questionou o edil.
O momento mais emocionado da sessão, no entanto, veio quando o Sargento Darley fez um desabafo ao rebater colegas que teriam classificado como “periferia” uma possível área próxima ao fórum. Visivelmente incomodado com o termo, o vereador fez questão de puxar a discussão para o campo social. “Ouvi aqui de alguns colegas que lá é uma periferia. É a mesma periferia onde meus colegas vão pedir voto na época das eleições. Eu achei uma falta de respeito muito grande pra nossa sociedade. Até mesmo porque eu moro praticamente na mesma periferia e me resido muito bem, graças a Deus”, finalizou, arrancando aplausos de parte da plateia.
Com os ânimos exaltados e os argumentos de ambos os lados colocados na mesa, a sessão terminou sem uma decisão final sobre a derrubada ou não do veto do prefeito ao Projeto de Lei 032/2026. O pedido de regime de urgência feito pelo Sargento Darley ficou empatado na votação, e o presidente da câmara decidiu pelo trâmite normal, adiando a discussão para a próxima reunião ordinária, quando o bate-boca provavelmente deve ganhar um novo capítulo.
