Com a virada do ano e após meses de pandemia, a esperança de que o cenário em todo mundo se normalizasse aos poucos foi ficando para trás, principalmente na macro região onde João Pinheiro está localizado. Apesar do cenário municipal ser consideravelmente favorável em razão do número de casos, o que se vê nas cidades vizinhas é que a normalidade tão esperada está longe de ser uma realidade, principalmente no que se refere ao retorno das aulas presenciais. É o que decidiu o comitê da Covid-19 em João Pinheiro.
O assunto da volta às aulas tomou as redes sociais do município após a proprietária e diretora do Colégio Darcília Coímbra encabeçar uma campanha favorável ao retorno das atividades presenciais. Para ela, o cenário local permitia que fosse instalado, ao menos, um sistema híbrido de ensino para possibilitar que, aqueles que quisessem, pudessem ter acesso ao ensino presencial. Seu posicionamento, entretanto, foi controvertido de forma bastante firme pelo Prefeito Municipal Edmar Xavier, ao vivo, em entrevista à Rádio Nova FM.
A questão chegou ao conhecimento do Ministério Público e uma reunião foi convocada e, na última sexta-feira (05), diretoras, professoras e representantes das escolas públicas e particulares de João Pinheiro discutiram o assunto com o comitê da Covid-19, com o prefeito e com as promotoras Fabiana Pereira de Lima Lopes e Fernanda Costa Garcia Perez. Na ocasião, restou decidido pela manutenção da suspensão do ensino presencial.
Após o término da reunião, o JP Agora tentou entrevistar a proprietária do Colégio Darcília Coímbra e principal defensora do retorno do ensino presencial, mas Bárbara Mendonça não quis se manifestar. Adalgisa, proprietária e diretora do Colégio Visão, outra escola particular de João Pinheiro, disse em entrevista que é contra campanhas em redes sociais relacionadas a assuntos tão importantes como este e que apoia a decisão do comitê em não autorizar a volta às aulas presenciais.
“Enquanto educadora, entendo que a decisão de voltar ou não é do comitê do Covid. Eles têm o poder deliberativo sobre o assunto. Não adianta discutirmos se tem ou não que voltar, uma vez que esse poder não está em nossas mãos, já que o comitê é detentor de todos os dados técnicos que vão subsidiar essa decisão. Eu acato a decisão do comitê. Não concordo com campanha em rede social. Rede social não retrata a realidade, rede social é rede social. Quando se discute questão de escola, questão de saúde, eu não vejo uma polêmica, uma vez que há pontos de vista divergentes, há interesses divergentes. Você coloca na sua rede social aquilo que é do seu interesse e não do interesse comum.”
A Promotora de Justiça Fabiana Pereira de Lima Lopes comentou, em entrevista, que o diálogo deve ser mantido sempre aberto para que a decisão seja tomada em conjunto.
“O objetivo é abrir o diálogo com todas as instituições para tentar verificar qual o caminho deve ser trilhado para o retorno das aulas presenciais. Acho que conseguimos o proposto. Agora, devemos continuar com o diálogo. O retorno das aulas presenciais depende de todos nós”, disse a Doutora Fabiana Pereira de Lima Lopes.
Já a Promotora de Justiça, Dra. Fernanda Costa Garcia Perez, disse que entende que não se pode estipular uma data para o retorno, mas que é importantíssimo que o planejamento se inicie o quanto antes.
“A minha conclusão é de que não existe uma resposta certa e uma data limite. O objetivo da reunião foi articular o poder público e a sociedade civil organizada para que nós começamos a pensar em algo mais concreto para a volta às aulas. Quando isso vai ocorrer, ainda não temos essa resposta. Mas é importante que haja uma articulação, um plano de trabalho junto com o comitê observando as normas técnicas, para que quando for possível o retorno gradual, ocorra da melhor forma possível” completou a Doutora Fernanda Costa Garcia Perez.
O Prefeito Municipal Edmar Xavier também foi entrevistado pelo JP Agora. Ele ressaltou que o ambiente escolar é diferente de um restaurante, de um bar ou de uma academia, onde as pessoas vão se quiserem. Apontou, ainda, que o tempo de permanência na escola favorece a contaminação e que o vírus está mais letal neste começo de ano.
“Neste momento, fomos contra a volta às aulas. Questiona-se o porquê de o boteco estar aberto, academia estar aberta, mas são locais que vai quem quer. Escola é tempo de permanência, crianças quatro horas em uma sala de aula. Permanência, alto índice de contaminação. Tivemos 41 crianças contaminadas em Minas Gerais, devemos ter 3 infectadas em João Pinheiro. O vírus tem modificado. Em seis meses do ano passado, perdemos 10 pessoas. Agora, com 35 dias desse ano, perdemos nove até o dia de hoje. Então, o vírus está muito mais letal, o número de internações está muito maior e muita gente acha que é brincadeira.”
As autoridades presentes na reunião acordaram que o diálogo deve permanecer aberto. Uma equipe composta por profissionais da educação, conselho tutelar e assistentes sociais será criada para acompanhar o comitê da Covid-19 em João Pinheiro com o objetivo de se começar a pensar sobre o possível retorno das aulas presenciais. Por enquanto, o ensino presencial seguirá suspenso no município.


