A manhã desta segunda-feira, 12 de janeiro, marcou um novo capítulo em um dos casos mais graves já registrados na área da saúde pública de João Pinheiro. A Câmara Municipal de João Pinheiro realizou a abertura oficial da CPI que vai investigar o suposto erro médico que resultou na morte do idoso Manoel Cardoso de Brito, ocorrida às vésperas do Natal no Hospital Municipal Antônio Carneiro Valadares.
A reunião teve início às 9:15h e contou com a presença de moradores da cidade, familiares do idoso e vereadores. Três parlamentares foram escolhidos para compor a comissão: Alexandre da Farmácia, Osmar Rodrigues e Guilherme Coxa. Eles serão responsáveis por toda a apuração e pela elaboração do relatório final, que será encaminhado ao Ministério Público.
A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) é uma investigação conduzida pelos vereadores com o objetivo de apurar fatos graves que afetam a população. No caso de João Pinheiro, a comissão poderá ouvir testemunhas, convocar autoridades, solicitar documentos e analisar prontuários médicos. Embora a CPI não tenha poder de condenar ninguém, ela é fundamental para dar transparência e apontar possíveis falhas. A CPI terá prazo inicial de 4 meses, o equivalente a 120 dias, podendo ser prorrogada por mais 2 meses, ou 60 dias, totalizando até 180 dias de investigação.
Durante a reunião, o filho do idoso, Samuel Cardoso de Brito, falou em nome da família e demonstrou esperança de que a CPI traga respostas. “Acredito que com essa CPI vão ficar mais esclarecidos o que de fato aconteceu. Tenho o sentimento de que a justiça pode ser feita e que a verdade vai aparecer”, afirmou.
O presidente da Câmara, conhecido como Gordinho do Açougue, destacou que a decisão foi unânime entre os vereadores. “Todos os vereadores foram a favor dessa CPI. Quem vai estar à frente dessa comissão será o Alexandre, o Guilherme e o nosso amigo Osmar”, disse.
Ainda durante a sessão, Gordinho reforçou que a CPI não tem viés político. “Foi tomada essa decisão para melhores esclarecimentos. As notas que foram divulgadas ficaram muito vagas. Quero deixar claro que isso não é questão de oposição ou de política. O que a gente quer é esclarecimento para a população”, afirmou.
O vereador Osmar Rodrigues destacou que a falta de diálogo motivou a abertura da comissão. “Se tivéssemos tido justificativas claras, pessoas punidas, se o prefeito, a vice, a secretária ou algum diretor clínico tivesse vindo a público explicar o que realmente aconteceu, talvez isso tivesse acalentado mais a família e a população. É um caso grave, que repercutiu nacionalmente”, declarou.
Já o vereador Guilherme Coxa ressaltou que a CPI busca transparência. “O que a gente procura são informações claras e transparentes, tanto para a família do senhor Manoel quanto para a sociedade. Temos consciência de que foi uma fatalidade, mas esses esclarecimentos são necessários para que novos erros não aconteçam”, afirmou.
Relembre o caso
A morte de Manoel Cardoso de Brito, no dia 24 de dezembro, causou grande comoção em João Pinheiro. O idoso faleceu após passar por procedimentos cirúrgicos no Hospital Municipal, e exames posteriores indicaram a presença de um corpo estranho, uma pinça, em seu abdômen. Desde então, a família busca respostas e justiça.
A ceia de Natal da família foi substituída pelo luto. “Meu pai era tudo pra mim. Mesmo doente, ele me beijava, dizia que me amava. Eu falei que ficaria com ele até o fim, e fiquei”, relatou Samuel em entrevista anterior ao JP Agora.
A expectativa agora é que a CPI esclareça responsabilidades, eventuais falhas e dê uma resposta concreta à população sobre o que realmente aconteceu dentro do hospital municipal.
