João Pinheiro se tornou assunto em todo o Brasil depois que um discurso do vereador Eli Corrêa (DEM) foi amplamente combatido por ativistas da causa animal na internet. Nas redes sociais pinheirenses, o infeliz discurso que ficou famoso foi colocado em segundo plano no início da noite de ontem depois que uma nova fala do vereador começou a ser compartilhada.
No novo discurso polêmico, Eli Corrêa esbraveja ferozmente contra a redução do subsídio dos vereadores de João Pinheiro – MG, assim como já fez em diversas outras oportunidades na tribuna da Câmara Municipal. Antes de menosprezar a profissão de faxineira, Eli usa uma figura de linguagem para, supostamente, ameaçar quem é favorável ao reajuste do salário. O tom de intimidação nesta parte do discurso é evidente.
“Quem sabe das nossas responsabilidades, dos nossos problemas, somos nós aqui. E nós temos valor, sim! Se ‘nós deixar’ de votar as coisas aqui ‘meu fi’, ‘nego’ que acha que está voando vai voar de baixo do chão. Não voa não. ‘Nós sabe’ aonde corta as asas do caboclo aqui” disse Eli Corrêa, nos primeiros minutos do áudio.
A parte mais absurda vem logo na sequência. Eli Corrêa, novamente utilizando uma entonação de voz com claro objetivo de intimidação, depois de dizer que os direitos do vereador devem ser respeitados porque “vereador é vereador” e que “vereador é igual a um deputado”, exclamou que é humilhação uma faxineira ganhar mais do que ele e isso é o mesmo que chamá-lo de cachorro e vagabundo.
“Vai lá e corta o salário dos deputados para ver se no outro dia não recebe o que tiver que receber. O que é direito eles vão receber, o que é de direito nosso também vamos receber, ninguém vai tirar nossos direitos não uai. Será que vai tirar nossos direitos? Falar que uma faxineira vai ganhar melhor que um vereador? Isso é muita humilhação. Isso é falar que a gente é um cachorro, é um vagabundo!”
Por fim, nos últimos minutos do áudio, Eli Corrêa tenta valorizar a figura do vereador, mais uma vez, valendo-se de declarações polêmicas, dando a entender que a qualificação e atributos da pessoa não importam se ela ocupa o cargo de vereador.
“Aqui as pessoas votam, de trinta e tantos quase quarenta ml ‘eleitor’ para escolher 13 é escolhido. Não é um cara chegar aqui e editar para a gente não. É escolhido, pode ser o que for, pode ser ruim, pode ser bom, pode ser certo, pode ser errado, mas escolhe.”
O JP Agora tentou contato com a assessoria do vereador Eli Corrêa para comentarem o caso durante todo o dia, mas em momento algum as ligações foram atendidas. É importante ressaltar que os vereadores gozam de imunidade para darem suas opiniões, palavras e votos sem que isso prejudique o seu mandato, desde que o bom senso não seja ultrapassado.
