Seis anos após o crime, Wilker Vinicios Moreira Tannous, acusado de matar Paulo Cezar de Carvalho, o Paulo Bigode, foi absolvido pelo júri nesta quarta-feira (21), em João Pinheiro. Quem pediu a absolvição não foi só a defesa: a própria promotora do caso, Mariana Marim Alves, pediu aos jurados que ele fosse absolvido por falta de provas. Os jurados concordaram, e Wilker, hoje com 34 anos, continua livre.
Os jurados reconheceram que o tiro saiu da arma dele, mas decidiram absolvê-lo. A defesa alegou que ele atirou para se defender. Ninguém recorreu, então a decisão é final.
O crime aconteceu na noite de 16 de fevereiro de 2020, na Olaria. Os dois se encontraram por acaso em um bar e começaram a discutir por causa de uma briga antiga. Paulo saiu e foi mexer no porta-malas do carro dele. O acusado então pegou uma espingarda no próprio carro e mandou Paulo não chegar perto. Paulo continuou indo na direção dele e levou um tiro na barriga. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu.
À polícia, o acusado disse que vinha sendo ameaçado por Paulo havia anos. Segundo ele, naquela noite Paulo veio na sua direção com a mão na cintura, dizendo que estava armado. Uma testemunha que estava no bar contou que Paulo tentou tomar a espingarda e que não viu nenhuma arma com ele. Depois do tiro, o acusado fugiu e, mais tarde, entregou a espingarda à polícia.
A briga entre os dois começou em 2014, quando Paulo foi preso com 116 estacas de madeira levadas de uma fazenda da família do acusado, em Lagoa Grande. O acusado trabalhava na fazenda e acompanhou a polícia naquele dia. Paulo chegou a ser condenado pelo furto em 2019, mas o processo foi encerrado sem pena porque o prazo para puni-lo venceu. Ele também foi preso outras vezes: por porte ilegal de arma em 2015 e, em 2018, por dirigir bêbado e sem carteira e por uso de documento falso, em Paracatu. Não há registro de condenação definitiva nesses casos.
Pela espingarda, a história foi outra. Os jurados não o absolveram por andar com a arma sem autorização. Ele fez um acordo com o Ministério Público, admitiu o porte e vai pagar R$ 2 mil, em quatro parcelas. Se pagar tudo, o caso é encerrado e não conta como condenação.
A reportagem do JP Agora sobre o crime, Paulo Bigode é assassinado após discussão em bar na Olaria em João Pinheiro, foi usada pela defesa no julgamento. O juiz liberou o texto, mas proibiu mostrar os comentários de leitores que vinham junto, porque alguns ofendiam Paulo e até comemoravam a morte dele. Segundo apurado pelo JP Agora, a família de Paulo não foi localizada pela Justiça e não foi avisada oficialmente do resultado.
